Treze deputadas estaduais da Assembleia Legislativa de São Paulo denunciaram ameaças graves recebidas por e-mail, incluindo intimidações de morte e estupro. A ofensiva virtual, que gerou indignação entre parlamentares e autoridades, foi formalmente registrada na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) e no Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), órgãos responsáveis pela investigação digital das ameaças.
O caso reacende preocupações sobre a violência política de gênero e o assédio direcionado a mulheres que ocupam cargos públicos. De acordo com organizações internacionais, ameaças desse tipo têm o objetivo de silenciar vozes femininas no debate público e minar sua participação política.
“A violência política contra mulheres está crescendo e não pode ser ignorada. Não vamos aceitar que tentem nos intimidar e nos silenciar. Isso é sobre democracia, sobre respeito à vida e à dignidade das mulheres”, afirmou a deputada Mariana Helou, uma das vítimas. Ela também elogiou a postura do presidente da Assembleia, André do Prado, que garantiu prioridade na apuração dos fatos e reforço da segurança das parlamentares. “Esse caso será investigado até o final. O presidente da Assembleia foi rápido e prontamente disponível para atender essa demanda de todas as deputadas”, acrescentou.
A Polícia Civil já identificou um suspeito, um homem de 28 anos, que nega qualquer envolvimento e alega que seus dados foram usados indevidamente. Um celular e um notebook foram apreendidos e encaminhados para perícia. O caso foi registrado como ameaça, injúria racial e falsa identidade. Segundo o Código Penal, o crime de ameaça pode resultar em detenção de um a seis meses ou multa.
O presidente da Assembleia declarou que a Casa não tolerará ameaças contra seus membros e está avaliando reforços na segurança, incluindo a possibilidade de escolta individual e a revisão dos protocolos de acesso ao prédio. “Foi um ataque não apenas às parlamentares, mas à própria instituição”, declarou.
Para especialistas em segurança digital e violência política, crimes dessa natureza são cada vez mais comuns e representam desafios para a proteção de figuras públicas. Organizações que monitoram ataques contra mulheres na política alertam para a necessidade de legislações mais rígidas contra crimes virtuais e para a criação de protocolos de resposta rápida.
As deputadas ressaltaram que o episódio faz parte de um contexto maior de violência política contra mulheres e defenderam a implementação de “políticas públicas eficazes para o enfrentamento da violência política de gênero”.
“Não basta identificar um suspeito. Precisamos de medidas concretas para impedir que isso continue acontecendo. Queremos segurança, queremos justiça e queremos que todas as mulheres que desejam entrar para a política possam fazê-lo sem medo”, concluiu uma das parlamentares que assinaram a queixa-crime.
A investigação segue em andamento, e as autoridades prometem agir com rigor para responsabilizar os autores das ameaças.




