A investigação da Polícia Federal (PF) sobre a “Abin Paralela” descobriu que Marcelo Araújo Bormevet, policial federal e então assessor especial de Alexandre Ramagem na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), teria recebido pagamentos mensais de uma empresa contratada pela própria agência. Essa informação surge no contexto do relatório final do inquérito que culminou no indiciamento de 36 pessoas, incluindo Ramagem e Carlos Bolsonaro.
Pagamentos Suspeitos e o Papel de Marcelo Bormevet
A PF aponta que Bormevet, figura de confiança de Ramagem e chefe do Centro de Inteligência Nacional (CIN) da Abin durante a gestão, recebia R$ 5 mil mensais da empresa Berkana Tecnologia em Segurança.
Essa empresa, por sua vez, havia firmado um contrato de R$ 9,6 milhões com a Abin no período. Os pagamentos, segundo a investigação, eram feitos através de um canal registrado em nome da mãe de Bormevet, em uma tentativa de “conferir aparência de legalidade (receita de patrocínio) a recursos de origem criminosa (corrupção), incorrendo, assim, em tese, no crime de lavagem de capitais”.
Além do suposto recebimento de propina, Marcelo Bormevet também é apontado no relatório como um dos responsáveis por dar ordens para “atacar” e “sentar o pau” em um assessor do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso.
Em conversas de WhatsApp com seu subordinado, Giancarlo Gomes Rodrigues, Bormevet expressava a necessidade de direcionar o trabalho da agência para ações contra o assessor, reforçando a ideia de que a estrutura era utilizada para monitorar ilegalmente adversários políticos.
Os Indiciados no Inquérito da “Abin Paralela”
O inquérito da “Abin Paralela” investiga um esquema de monitoramento ilegal de autoridades e jornalistas, operando à margem dos procedimentos oficiais da Abin. O relatório final da PF indiciou 36 pessoas, divididas em diferentes núcleos:
Núcleo da Estrutura Paralela (Comando e Alta Gestão):
- Alexandre Ramagem Rodrigues: Ex-diretor-geral da Abin, apontado como principal responsável pelo esquema.
- Paulo Maurício Fortunato Pinto: Ex-secretário de Planejamento da Abin, afastado do cargo por suspeita de integrar o esquema.
- Frank Márcio de Oliveira
- Carlos Afonso Gonçalves Gomes Coelho
Núcleo da Estrutura Paralela (Assessoria da Alta Gestão e Execução de Ações Clandestinas):
- Marcelo Araújo Bormevet: Assessor especial de Ramagem e chefe do CIN, envolvido no recebimento de propina e no direcionamento de monitoramentos.
- Felipe Arlotta Freitas
- Henrique César Prado Zordan
- Alexandre Ramalho Dias Ferreira
- Luiz Felipe Barros Felix
- Carlos Magno de Deus Rodrigues
- Giancarlo Gomes Rodrigues: Subordinado de Bormevet, envolvido nas conversas sobre monitoramento.
Envolvidos com Outras Condutas Individualizadas e Obstructionistas:
- Carlos Nantes Bolsonaro: Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, indiciado por suposta articulação na “Abin Paralela” e atuação em desinformação.
- Luiz Fernando Corrêa: Atual diretor-geral da Abin, indiciado por suposta tentativa de obstruir as investigações.
- Alessandro Moretti: Ex-diretor-adjunto da Abin.
- Paulo Magno de Melo Rodrigues Alves
- Marcelo Furtado Martins de Paula
- Luiz Gustavo da Silva Mota
- Eriton Lincoln Torres Pompeu
- Alexandre de Oliveira Pasiani
- José Matheus Salles Barros
- Mateus de Carvalho Sposito
- Alan Oleskovicz
- Ricardo Wright Minussi
- Rodrigo Augusto de Carvalho Costa
- Lucio de Andrade Vaz Parente
- Alexandre do Nascimento Cantalice
- Victor Felismino Carneiro
- Bruno de Aguiar Faria
- Luiz Carlos Nóbrega Nelson: Chefe de gabinete da Abin, indiciado por suposta obstrução.
- José Fernando Moraes Chuy: Corregedor da Abin, indiciado por suposta obstrução.
Outros nomes indiciados também incluem: Luciana de Almeida, Rogério Beraldo de Almeida, entre outros, totalizando os 36 nomes.
Alvos da Espionagem Ilegal
A investigação revelou que a “Abin Paralela” monitorou ilegalmente diversos indivíduos, incluindo:
Ministros do STF: Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Luiz Fux.
Figuras Políticas: Arthur Lira (deputado e ex-presidente da Câmara), Rodrigo Maia (deputado e ex-presidente da Câmara), Kim Kataguiri (deputado federal), Joice Hasselmann (ex-deputada federal), Alessandro Vieira (senador), Renan Calheiros (senador), Randolfe Rodrigues (senador), João Doria (ex-governador de São Paulo), Cláudio Castro (governador do Rio de Janeiro).
Jornalistas: Mônica Bergamo, Vera Magalhães, Luiza Alves Bandeira, Pedro Cesar Batista.
Outros: O ator e humorista Gregório Duvivier também foi alvo.
Próximos Passos
O inquérito da “Abin Paralela” foi oficialmente concluído pela Polícia Federal e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) para as devidas análises e prosseguimento do caso.
Ramagem, por sua vez, tem refutado as acusações, classificando-as como “narrativas” e sugerindo uma “rixa política interna” contra a atual administração da Abin.


