O grupo de brasileiros deportados dos Estados Unidos, por viverem ilegalmente naquele país, foi vítima de agressões durante a viagem de retorno ao Brasil num avião norte-americano disponibilizado pelo governo dos EUA.
Os relatos de agressões foram feitos a jornalistas e publicados neste domingo (26) pelos portais do Uol e Metrópoles, com fotos das marcas deixadas no corpo de alguns dos deportados.
O voo de retorno dos brasileiros chegou ontem ao Brasil, com a aeronave americana apresentando problema técnico, que a obrigou a realizar pouso inesperado no Aeroporto de Manaus, não cumprindo o destino final, que era Belo Horizonte.
Quando os deportados desceram do avião em Manaus, saíram da aeronave algemados nas mãos e nas pernas. A Polícia Federal notificou o fato ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que determinou a retirada imediata das algemas porque essa prática ofende a dignidade humana.
O presidente Lula mandou um avião da FAB a Manaus para buscar os 158 deportados e levá-los até Belo Horizonte. O episódio abriu discussão sobre o tratamento dado aos brasileiros ilegais nos Estados Unidos. A lei americana trata ilegais de qualquer origem dessa mesma forma.
Em depoimento aos portais Uol e Metrópoles. Sandra Pereira de Souza, de 36 anos, disse que estava no voo com o marido e dois filhos pequenos.
Ela descreveu a viagem como um “inferno”, citando o medo constante de morrer durante o voo, além da falta de estrutura no avião, que apresentou problemas mecânicos durante o trajeto.
Ela disse que deixou para trás, nos Estados Unidos, uma empresa, casa e carro. Disse que foi convocada para participar de uma reunião com o setor de imigração e não voltou mais.
Carlos Vinícius de Jesus, de 29 anos, contou: “Foi terrível, vim preso nos braços, nas pernas e na cintura, eles não respeitaram a gente”. Ele também revelou que, durante o voo, os agentes chegaram a ameaçar a segurança da aeronave e desrespeitaram sua dignidade.
Muitas das agressões ocorreram principalmente com os homens, enquanto mulheres e crianças, apesar de também estarem em situações de vulnerabilidade, foram poupadas. A chegada ao Brasil, embora marcada por acolhimento inicial e o apoio da Polícia Federal, não diminuiu o trauma causado pela experiência vivida.
O vigilante Jeferson Maia disse que ficou acorrentado por 50 horas desde os Estados Unidos até a chegada a Manaus. Segundo ele, “me agrediram e me enforcaram durante o voo”, porque reclamou da falta de ar condicionado dentro da aeronave.
Luiz Fernando Caetano Costa disse aos jornalistas que “os caras (americanos) meteram porrete sem dó na gente. Teve um brasileiro que bateram nele até desmaiar”.
A ministra dos Direitos Humanos, Macae Evaristo, que recepcionou os brasileiros em Minas, disse que as denúncias são graves. A ministra informou que vai fazer um relatório do caso ao Itamarati, para providências.
A ministra também lembrou que, embora os países tenham suas próprias políticas migratórias, essas não podem violar os direitos humanos.
“Os países têm suas políticas imigratórias, mas as suas políticas imigratórias não podem violar os direitos humanos. O Brasil sempre tratou com muito respeito toda a população, tanto refugiados que chegam no Brasil quanto pessoas que nós temos que repatriar”, disse Evaristo.


