O Tietê é um dos tios mais poluídos do mundo, cujas águas atravessam o estado de leste a oeste. (Foto: Gov SP)


A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), hoje uma empresa privada, está lançando esgoto sem tratamento diretamente no rio Tietê. A prática, observada em tubulações entre as pistas da Marginal Tietê, na altura da Avenida Engenheiro Caetano Álvares, gerou indignação e questionamentos sobre a gestão ambiental da empresa.

O Que Aconteceu

O despejo de esgoto bruto foi identificado por populares, que notaram o fluxo contínuo de resíduos sem tratamento diretamente para o rio.
Em resposta às reclamações e à repercussão do fato, a Sabesp admitiu a ação.

Continua depois da publicidade

Em nota oficial, a companhia justificou o despejo como uma “manobra emergencial para esvaziar a rede no trecho em obras da Marginal Tietê”.
A origem do problema remonta a uma cratera que se abriu na pista central da Marginal Tietê por duas vezes, exigindo trabalhos de reconstrução.

Segundo a Sabesp, a medida de despejar o esgoto foi “necessária para garantir que técnicos da empresa consigam entrar na infraestrutura que fica a 18 metros de profundidade, com total segurança”.

A empresa assegurou que a manobra foi concluída hoje, 28 de junho de 2025, afirmando que o procedimento permitirá o acesso dos técnicos à rede de esgoto para um diagnóstico das causas da cratera e, consequentemente, a execução de obras para a “solução definitiva do problema”.

Controvérsia

A justificativa da Sabesp, no entanto, foi recebida com ceticismo, especialmente após a empresa, em um primeiro momento, culpar os moradores pelo uso incorreto da rede de esgoto. Essa alegação foi contestada por especialistas.

Em entrevista ao UOL, um especialista em planejamento e gestão do território e coordenador do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (Ondas), Amauri Pollachi, classificou a desculpa da Sabesp como “inovadora e inventiva”.

Ele ressaltou que os sistemas de água pluvial e de esgoto deveriam ser separados, indicando uma falha estrutural ou de planejamento que não poderia ser atribuída aos usuários.