O público não de emtusiasmou com o ato na Paulista para apelar por anistia de Bolsonaro. (Reprodução: TV)


Em seu segundo evento na Avenida Paulista este ano, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reuniu um público estimado em 12,4 mil pessoas, ocupando apenas um quarteirão da avenida. O número é significativamente menor do que os 44,9 mil presentes em abril e os 185 mil de fevereiro de 2024. Apesar da baixa adesão, Bolsonaro aproveitou a ocasião para focar nas eleições de 2026 e criticar o inquérito que o investiga por sua suposta participação em uma trama golpista, ao qual se referiu como uma “fumaça de golpe”.

Inquérito e Eleições de 2026

Bolsonaro reiterou que o objetivo da investigação não é prendê-lo, mas sim “eliminá-lo” da cena política. “Não me sinto bem na posição que me encontro, me omitir, me calar. Eu apelo aos Três Poderes da República. Sentem, conversem, pacifiquem o Brasil. Força e liberdade a esses inocentes do 8 de Janeiro”, afirmou. Mesmo inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-presidente pediu aos apoiadores que o ajudem a eleger 50% da Câmara e do Senado. “Me deem isso que eu mudo o destino do Brasil. E digo mais, nem preciso ser presidente. O Valdemar [Costa Neto] me mantendo como presidente de honra do Partido Liberal, nós faremos isso por vocês”, declarou.

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“Justiça Já” e Críticas a Mauro Cid

O mote da manifestação desta vez foi “justiça já”, substituindo o anterior “anistia”. O protesto teve como foco o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo a delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. A delação foi amplamente criticada pelo ex-presidente, seus aliados e as defesas dos réus pela trama golpista.

Aliados presentes no evento, como Flávio Bolsonaro (PL-RJ), defenderam a inocência do ex-presidente e sua elegibilidade para 2026, ignorando a decisão do TSE. “As provas mostram, pai, que você é inocente e liberdade não se negocia. Quem abre mão da liberdade por medo acaba escravo por escolha e todos nós, pela política, ocupando as ruas, atuando nas redes sociais, com um Senado e uma Câmara mais forte, sob a liderança de Jair Messias Bolsonaro, vamos juntos”, disse Flávio Bolsonaro.

Ataques ao Judiciário e Presenças Políticas

O pastor Silas Malafaia, um dos organizadores do ato, iniciou seu discurso chamando o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de “ditador da toga” e defendeu a anulação da delação de Mauro Cid. Malafaia questionou a reputação do STF, afirmando: “Até quando o Supremo Tribunal Federal vai bancar o ditador Alexandre de Moraes? Até quando o Supremo tá indo para lata do lixo com a sua reputação?”.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), evitou citar o STF diretamente, mas criticou o governo Lula e elogiou a gestão do ex-presidente. Quatro governadores estiveram presentes, um número menor que os sete que compareceram ao ato de abril: Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Cláudio Castro (PL-RJ), Jorginho Mello (PL-SC) e Romeu Zema (Novo-MG). Nomes importantes do PL, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Michelle Bolsonaro (PL), não compareceram; a ex-primeira-dama, segundo o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), tinha um evento agendado do PL Mulher em Roraima.

Discursos e Minimização da Baixa Adesão

Durante o ato, Bolsonaro imitou o slogan de Donald Trump, tentando falar em inglês: “Make Brazil great again”. Momentos antes, o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) também se dirigiu a espectadores internacionais em inglês.

A baixa participação foi minimizada por aliados de Bolsonaro. “Estamos aqui para marcar posição. É menos importante o número [de participantes] do que eu vou dizer aqui”, disse Malafaia antes do início do ato. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) desafiou a esquerda brasileira a “colocar 10% da quantidade de gente que tem aqui hoje”.