David Alcolumbre, presidente do Senado, derrotou o governo, mas pegou sua parte em emendas. (Foto: Reprodução)


O governo federal intensificou o pagamento de emendas parlamentares na última semana de junho, desembolsando R$ 2,3 bilhões em recursos para projetos indicados por congressistas.

Somente na sexta-feira (27), foram pagos R$ 474 milhões, o maior valor diário registrado neste ano, segundo dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop).

dos quase meio bilhão de reais pagos na sexta-feira, R$ 20,5 milhões foram destinados a uma única emenda indicada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tornando-o o maior beneficiado do dia. Os recursos foram direcionados para o custeio de serviços de atenção primária à saúde no Amapá.

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Apesar de ser o maior valor pago em um único dia, o montante total de emendas liberadas pelo governo em 2025 chega a R$ 940 milhões, bem abaixo dos mais de R$ 3 bilhões já empenhados (reservados para execução).

Tipos de emendas e destinações

Todas as 149 emendas pagas na última sexta-feira foram individuais, ou seja, indicadas por um único parlamentar. Desse total, R$ 343 milhões foram para deputados federais e R$ 131 milhões para senadores.

Além de Alcolumbre, outros senadores de destaque nos pagamentos de emendas para a saúde foram Eduardo Braga (MDB-AM), com R$ 24,5 milhões pagos em uma única emenda, sendo o parlamentar com mais emendas pagas até o momento, e Angelo Coronel (PSD-BA), relator do orçamento de 2025, com R$ 13 milhões. Todas as emendas de maior valor foram destinadas à saúde em seus respectivos estados.

Empenhos em recorde

A última semana de junho também foi marcada por um recorde nos empenhos (reservas de recursos para futura execução) de emendas, totalizando R$ 3,13 bilhões para 1.510 emendas parlamentares. Apenas na sexta-feira, foram empenhados R$ 803 milhões.

O expressivo volume de pagamentos ocorre em meio a reclamações de parlamentares sobre o atraso do governo na liberação de emendas em 2025. Essa insatisfação foi apontada como um dos motivos para as recentes derrotas do Planalto em votações no Congresso.

Para este ano, o Congresso aprovou mais de R$ 50 bilhões em emendas parlamentares. O governo, por sua vez, justifica o atraso pelas mudanças no rito de liberação e pagamento, em atendimento a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), e pela aprovação tardia do Orçamento de 2025, que só ocorreu no fim de março.