O deputado Bolsonaro curtindo a Disney com a família, a soldo do pai. (Instagram)


A Polícia Federal está investigando o financiamento de Eduardo Bolsonaro por Jair Bolsonaro em ações supostamente direcionadas contra o Brasil nos Estados Unidos. Uma transferência de R$ 2 milhões do ex-presidente para o filho é considerada um “forte indício” de articulação coordenada para desestabilizar as instituições brasileiras.

Uma movimentação bancária milionária coloca o ex-presidente Jair Bolsonaro no centro de novos inquéritos.

Segundo decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o envio de R$ 2 milhões a Eduardo Bolsonaro não é um simples auxílio financeiro: trata-se de um “forte indício” de atuação coordenada entre pai e filho para desestabilizar instituições brasileiras.

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As medidas restritivas impostas a Bolsonaro decorrem diretamente das informações levantadas pela Polícia Federal e até de declarações do próprio ex-presidente.

Nesta sexta-feira (18), a Polícia Federal deflagrou nova ação contra o ex-presidente, cumprindo mandados de busca e apreensão tanto em sua residência quanto na sede do Partido Liberal (PL).

A operação teveccomo base documentos que apontam graves condutas atribuídas a Bolsonaro, incluindo a transferência bancária feita no dia 13 de maio diretamente para Eduardo, que está em viagem aos Estados Unidos.

O ex-presidente justifica o envio como uma ajuda financeira, mas a Procuradoria-Geral da República (PGR) interpreta como tentativa de fomentar ações internacionais contra autoridades brasileiras e o próprio STF.

Trechos da decisão de Moraes revelam o tom grave da acusação: “As postagens realizadas e a vultosa contribuição financeira encaminhada a Eduardo Bolsonaro são fortes indícios […] com o claro objetivo de interferir na atividade judiciária e na função jurisdicional desta Suprema Corte.”

Medidas cautelares

O ministro Alexandre de Moraes determinou uma série de restrições ao ex-presidente, motivadas pelas informações levantadas pela PF e por declarações do próprio Bolsonaro. As medidas incluem:

  • Uso de tornozeleira eletrônica
  • Recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana
  • Proibição de comunicação com diplomatas e outros investigados
  • Suspensão de acesso às redes sociais

A Polícia Federal apura se houve tentativa de obstrução de justiça, coação de testemunhas e atentado à soberania nacional.

Em paralelo, Moraes destaca que Bolsonaro teria confessado tentativas de extorsão à Justiça ao condicionar o fim de tarifas comerciais dos EUA à anistia penal no Brasil.

Reações durante a operação

Durante o cumprimento dos mandados, Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle teriam se mostrado nervosos e exaltados, mas não ofereceram resistência, segundo os relatos da equipe policial.

A decisão acende novo sinal de alerta sobre o alcance das articulações internacionais de figuras públicas brasileiras e seu impacto sobre o sistema democrático. Com maioria formada no STF para referendar as medidas, o caso promete repercussão profunda tanto no cenário jurídico quanto político nacional.