Em um cenário onde soluções rápidas para o emagrecimento frequentemente prometem mais do que entregam, a entrevista concedida nesta terça-feira (22) ao Jornal BC TV, do portal BRASIL CONFIDENCIAL, pelo especialista em neurociência do comportamento Alan Diego Martins, trouxe uma abordagem inovadora. Em vez de atalhos, Martins propõe uma jornada baseada em autoconsciência e autocontrole, aliada ao uso da neurociência comportamental e da inteligência artificial.
“A ação focada numa coisa é muito mais leve. Existe energia. Você fica mais preguiçoso, mais procrastinador ou mais disciplinado. Procrastinar e disciplina exigem energia”, explica o especialista.
Segundo Martins, compreender os impulsos cerebrais é essencial para reprogramar comportamentos alimentares. Ele afirma que “ao levar consciência às pessoas, elas entendem que o cérebro as puxa e que elas podem controlar isso”.
Mindfulness
A atenção plena (mindfulness) surge como ferramenta eficaz na promoção da autoconsciência, autocontrole e autodisciplina. Para ele, esses elementos são os pilares do equilíbrio entre corpo e mente.
“A autoconsciência é você perceber o seu corpo, a sua mente. E o autocontrole, as suas emoções. Autodisciplinar os seus comportamentos”, resume Martins.
Com um exemplo prático, o especialista ilustra o autocontrolar:
“Como é que eu faço para não tomar essa água aqui?”, perguntou, olhando para um copo de água em cima da mesa. “Não olha para ela, finge que ela não está aí.”
Essa capacidade de evitar recompensas imediatas, como doces, é o que Martins considera a base da autodisciplina.
Efeito sanfona x Canetas emagrecedoras
Martins alerta para os riscos das chamadas canetas emagrecedoras, cujo uso vem crescendo no país. Segundo ele, os estudos ainda são iniciais, e há relatos preocupantes de efeitos colaterais como problemas renais, pancreáticos e até calvície.
“O fato de você engordar e emagrecer o tempo todo, esse efeito sanfona interfere muito no organismo da pessoa. O metabolismo, como ele funciona. A gente percebe mudança até no comportamento.”
O especialista enfatiza que esses medicamentos exigem acompanhamento profissional rigoroso e não devem ser usados indiscriminadamente:
“Não é qualquer pessoa, em qualquer condição e a qualquer momento.”
Um estudo da Universidade de Oxford mostra que, em até 1 ano e 8 meses, o peso retorna — muitas vezes com mais gordura. Isso ocorre porque, na maioria dos casos, as canetas resolvem os números na balança, mas não a raiz do problema: a reeducação alimentar.
Segundo Martins, estudos indicam que o peso volta após a interrupção do uso de Ozempic e Mounjaro. Ele alerta que, para um emagrecimento saudável e duradouro, são necessários métodos de acompanhamento.
Emagrecimento sustentável
Para atender à população de baixa renda, Martins defende alternativas como atividade física em casa — com uso de aplicativos gratuitos e vídeos no YouTube — e alimentação consciente com produtos acessíveis, como ovos e legumes.
Ele ainda destaca a ordem de consumo dos alimentos como estratégia para controlar a glicemia:
“Se você comer um legume primeiro, depois a salada, depois a proteína e depois o carboidrato, isso interfere no pico de glicemia.”
A hidratação e o sono adequado também são fatores essenciais, segundo o especialista:
“Quanto mais você toma água, mais você faz xixi. Mais sai a gordura no xixi.”
Martins lembra que o descanso é negligenciado por muitos, especialmente devido ao uso excessivo de telas:
“41% das pessoas têm distúrbio de sono. Quanto mais cansado eu estou, mais energia eu quero recuperar, então é natural que o corpo peça o açúcar e o carboidrato.”
Conclusão
“A rotina básica, bem feitinha, é bacana”, finaliza Martins. Ele reforça que a chave para o emagrecimento saudável e duradouro está na consciência sobre os próprios hábitos, autonomia emocional e disciplina comportamental, sem depender exclusivamente de métodos rápidos e caros.
📺 Assista aqui à entrevista completa com Alan Diego Martins:



