O Brasil precisa assumir imediatamente o protagonismo global na mineração sustentável, ou corre o risco de ser “mero espectador” da nova geopolítica dos minerais críticos. A avaliação foi feita por Fernando Azevedo e Silva, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), durante o Seminário LIDE Mineração, realizado nesta quarta-feira (30), na Casa LIDE, em São Paulo.
“O momento decisivo da mineração brasileira é agora. A segurança energética, a segurança alimentar e a segurança mineral estão interligadas. O futuro da mineração está sendo escrito agora”, afirmou.
A crescente disputa entre Estados Unidos e China por minerais estratégicos foi comparada a uma “corrida mineralista” por Alexandre D’Ambrosio, ex-vice-presidente da Vale.
“O mundo vive um novo tipo de corrida, similar à corrida armamentista. E o Brasil, com a segunda maior reserva de terras raras do mundo, precisa decidir se será protagonista ou colônia”, alertou. Ele defendeu a inovação, a verticalização e a tokenização dos royalties minerais como caminhos para atrair investimentos e modernizar o setor.
Para o diretor de operações da Salobo Vale Base Metals, Antônio Schettino, o Brasil está perdendo competitividade e precisa agir com urgência. “Hoje, fazer pesquisa geológica no Brasil está quase igual ou até mais caro que no Canadá”, afirmou. Segundo ele, a formação de mão de obra local também é um entrave:
“Precisamos treinar as pessoas onde a mina está. Não dá para importar 10% da população da cidade para operar uma mina.” Schettino também destacou que o licenciamento ambiental, embora com avanços pontuais, ainda impede que o país acompanhe o ritmo do mercado. “Não podemos perder o timing.”
Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente e hoje presidente global de Sustentabilidade na Ambipar e co-presidente do International Resource Panel da ONU, reforçou que a mineração deve ser vista como instrumento de desenvolvimento.
“O Brasil não será um líder global por ter recursos. Liderança se conquista com visão estratégica, regulação moderna e pactos internos. E o tempo do futuro é agora”, disse. Ela defendeu o conceito de “transição do uso da terra”, unindo recursos minerais, biodiversidade e matriz energética limpa como ativos nacionais na COP30, que será realizada em Belém.
Outro destaque do seminário foi o projeto de lei 2780, que institui a Política Nacional dos Minerais Críticos e Estratégicos, liderado pelo deputado federal Zé Silva (Solidariedade-MG). “Estamos falando de geopolítica, segurança alimentar e energética. Precisamos de uma política de Estado para os minerais que vão sustentar a nova economia mundial”, afirmou. O relator do PL, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), defendeu a aprovação urgente da proposta e destacou: “Essa é uma agenda de soberania nacional”.
Com participação de empresas como Vale, Gerdau, Hydro, B3, PLS Brasil e da sociedade civil, o evento reforçou a necessidade de diálogo entre os setores público e privado, regulação mais ágil e investimentos em inovação, tecnologia e capacitação local para posicionar o Brasil como referência na nova geoeconomia mineral.



