A revista britânica The Economist analisou as recentes tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e concluiu que, apesar da retórica agressiva, os impactos econômicos para o Brasil serão limitados. Publicada nesta sexta-feira (8), a reportagem afirma que as tarifas são mais uma ameaça política de Donald Trump do que uma medida econômica com grande efeito. Segundo o veículo, o Brasil “pode ter evitado o pior”, já que o país depende menos do mercado americano do que no passado.
Embora a medida tenha sido amplamente divulgada, com cerca de 700 produtos brasileiros, como aviões, petróleo, celulose e suco de laranja, isentos da tarifa, outros itens importantes, como café, carne e frutas, permanecem sujeitos à alíquota completa. No entanto, The Economist destaca que o impacto real sobre a economia brasileira é reduzido, dado que apenas 13% das exportações do Brasil vão para os Estados Unidos, uma queda expressiva em relação a duas décadas atrás, quando esse percentual era de 25%.
A revista também observa que a relação comercial do Brasil com a China, que já é responsável por uma parte crescente das exportações brasileiras, já supera a dos Estados Unidos. A maior parte das exportações brasileiras agora se direciona ao gigante asiático, o que diminui a vulnerabilidade do Brasil diante de medidas protecionistas dos EUA. Além disso, o Brasil é um dos países menos dependentes dos EUA no comércio exterior, o que atenua ainda mais os possíveis danos causados pela tarifa de Trump.
A postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi ressaltada pela revista, que destacou sua combinação de firmeza e diplomacia. Lula rejeitou a ideia de subordinação à política externa de Trump, mas ao mesmo tempo, usou canais diplomáticos, incluindo empresas brasileiras e suas parceiras americanas, para pressionar pela isenção de vários produtos da tarifa. Essa estratégia resultou em uma quantidade significativa de isenções, minimizando os danos econômicos.
Porém, o maior risco, segundo The Economist, reside nas ações futuras do governo brasileiro. Lula mencionou que poderia consultar os outros membros do BRICS, como China e Índia, para discutir formas de combater a medida, o que poderia, eventualmente, levar a uma escalada no conflito comercial entre as duas potências. A reportagem lembra que Trump já havia ameaçado o bloco com uma tarifa adicional de 10%, o que aumenta as tensões e o risco de uma guerra comercial prolongada.



