O mercado financeiro voltou a revisar para baixo suas expectativas para os principais indicadores da economia brasileira.
Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (11) pelo Banco Central, analistas reduziram pela 11ª semana consecutiva a projeção de inflação para este ano, além de reverem para baixo as estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e do superávit comercial para 2025 e 2026.
Leia aqui os dados:
Inflação
A expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2025 caiu de 5,07% para 5,05%. Para 2026, a projeção
também recuou, passando de 4,43% para 4,41%. Apesar da tendência de desaceleração, os números seguem acima do teto da meta oficial de inflação, que é de 4,5% ao ano — considerando a margem de tolerância de 1,5 ponto percentual em torno do centro da meta de 3%.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará nesta terça-feira (12) os dados do IPCA de julho. A expectativa, segundo pesquisa da Reuters, é de alta mensal de 0,37%, com inflação acumulada em 12 meses de 5,34%.
PIB: crescimento mais tímido à frente
As projeções para o crescimento da economia também foram ajustadas para baixo. A estimativa para o PIB em 2025 caiu de 2,23% para 2,21%, enquanto a de 2026 passou de 1,88% para 1,87%. Os números refletem uma visão mais cautelosa dos analistas diante de um cenário global incerto e de pressões internas como juros elevados e desaceleração do consumo.
Juros e câmbio
A taxa básica de juros (Selic) permanece com estimativa de 15% ao final de 2025 e 12,50% em 2026, sem alterações em relação à semana anterior. Já o câmbio segue estável, com o dólar projetado a R$ 5,60 no fim de 2025 e R$ 5,70 em 2026.
Comércio exterior: superávit menor
A balança comercial também entrou no radar das revisões. A projeção de superávit para este ano foi reduzida de US$ 65,25 bilhões para US$ 65 bilhões. Para 2026, a estimativa caiu de US$ 70,79 bilhões para US$ 69 bilhões.
A queda nas expectativas ocorre em meio à decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.
Em resposta, o governo federal prepara um plano de contingência para apoiar empresas e setores afetados pelas medidas.


