O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na entrevista do Estúdio i, da Globo News. (Reprodução: TV)


O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, revelou que a reunião que teria com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, foi cancelada.

Segundo Haddad, o cancelamento ocorreu após a interferência do que ele chamou de “militância diplomática de extrema direita” atuando junto à Casa Branca.

O encontro, que estava agendado para esta quarta-feira (13), tinha como objetivo discutir o aumento de tarifas aduaneiras. No entanto, após uma fala do ministro sobre o assunto, a reunião virtual foi desmarcada.

Continua depois da publicidade

Em entrevista ao programa Estúdio i da GloboNews desta segunda-feira (11), Haddad afirmou que “a militância antidiplomática dessas forças de extrema direita que atuam junto à Casa Branca tiveram conhecimento da minha fala e agiram junto a alguns assessores”.

A tensão em torno da agenda diplomática de Haddad pode estar ligada a declarações anteriores de Bessent.

O secretário do Tesouro dos EUA publicou em sua conta na rede social X (antigo Twitter) críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, acusando-o de promover “uma campanha opressiva de censura e prisões arbitrárias”. Na publicação, Bessent mencionou que Moraes estaria realizando “perseguições políticas, incluindo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro”.

Apesar do revés na agenda internacional, o ministro da Fazenda segue focado em questões internas. Haddad tem um encontro marcado para esta segunda-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin. A pauta da reunião inclui a finalização do plano de contingência para socorrer os setores da economia mais impactados pelo tarifaço.

Haddad diz que Itamaraty está elencando medidas sobre Lei da Reciprocidade

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o Itamaraty está elencando medidas sobre a Lei da Reciprocidade em resposta à sobretaxa aplicada pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Em entrevista à GloboNews, ele citou como exemplo de medida já sinalizada o questionamento feito pelo Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a ordem executiva norte-americana.

Internamente, Haddad disse entender que o caso atual, de enfrentamento ao tarifaço dos EUA, não é similar ao do Rio Grande do Sul, que sofreu com graves enchentes em 2024.

Ele frisou que as medidas do plano de contingência para socorrer as empresas brasileiras terão “o tamanho necessário para enfrentar a situação”, com apoio aos exportadores e proteção da economia brasileira.

“Estamos trabalhando dentro da meta estabelecida para o ano”, destacou o ministro.

Ecoando o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, Haddad defendeu a abertura de mercados para não haver dependência das exportações para os EUA.

Depois de enviar a medida provisória (MP) do plano de contingência ao Congresso, ele afirmou que os bancos públicos cuidarão da regulamentação das medidas.

Haddad ainda criticou o custeio do salário do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos EUA, sem que ele exerça o mandato regularmente no País. “Não estou pedindo nada diferente de cumprir a lei”, disse.