O açaí é uma iguaria amazônica muito conhecida na Europa. Essa loja fica em Paris e pertence a uma franquia. (Foto: Divulgacão)


Uma notícia que causa surpresa: pratos típicos e bastante conhecidos da culinária amazônica, como o açaí, a maniçoba e o tucupi, não farão parte do cardápio oficial da COP30. A conferência do clima, que acontece em novembro, terá um menu restrito por conta de um edital da Organização dos Estados Ibero-americanos, a OEI, responsável pela alimentação do evento.

O documento aponta que o consumo desses alimentos representa um risco à saúde se não houver um preparo com cuidados extremos.

No caso do açaí, o alerta é sobre a possibilidade de contaminação pelo parasita Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas. E mesmo com a possibilidade de pasteurização, todos os tipos da fruta foram proibidos.

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Já o tucupi e a maniçoba também foram vetados. Ambos são derivados da mandioca-brava e podem conter ácido cianídrico, uma substância tóxica que pode causar sérios danos à saúde se não forem devidamente processados. A maniçoba, por exemplo, exige um cozimento de cerca de sete dias para eliminar o risco. O tucupi, por sua vez, precisa passar por processos de fermentação e cozimento para se tornar seguro.

Além desses pratos, o edital proíbe uma série de outros itens, como ostras cruas, carnes malpassadas, sucos de fruta in natura, maionese caseira e leite não pasteurizado.

A OEI, que trabalha em parceria com o governo federal na organização da conferência, exige que os menus dos mais de oitenta estabelecimentos — entre a Blue Zone e a Green Zone — sejam diversos e sigam rigorosamente todas as normas sanitárias. O descumprimento pode levar à substituição de itens.

Apesar das restrições, o edital também determina que pelo menos trinta por cento dos ingredientes utilizados sejam locais ou sazonais e que os cardápios incluam opções veganas, vegetarianas, sem glúten e sem lactose. A prioridade é para alimentos orgânicos e de base agrícola sustentável, com o objetivo de promover a saúde dos participantes e reduzir o impacto no meio ambiente.

Procurada para falar sobre o assunto, a Organização dos Estados Ibero-americanos não se manifestou.