O encontro transformou-se em um espetáculo de TV, no estilo que Trump protagonizou no programa “O Aprendiz”. Com transmissão ao vivo, o presidente americano conseguiu fazer progressos nas negociações para encerrar a guerra na Ucrânia e chegou a declarar seu amor pelos ucranianos. Ao ser questionado por jornalistas sobre uma mensagem para o povo de Zelensky, Trump respondeu: “Eu amo os ucranianos”.
Após uma breve conversa no Salão Oval, os dois líderes seguiram para uma reunião ampliada com representantes da França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Finlândia, Comissão Europeia e Otan.
Durante a coletiva, Trump afirmou que tanto Zelensky quanto o presidente russo, Vladimir Putin, querem o fim do conflito. “Este senhor [Zelensky] quer que ela acabe, e Vladimir Putin quer que ela acabe. Acho que o mundo inteiro está cansado disso. E nós vamos acabar com isso”, declarou o presidente americano.
Uma mudança de posição de Trump chamou a atenção: ele afirmou que não considera um cessar-fogo imediato como pré-requisito para as negociações de paz, justificando que “estrategicamente, isso pode ser uma desvantagem para um dos lados”. Essa declaração representa um recuo em relação ao que havia dito após se encontrar com Putin na última sexta-feira, no Alasca, e foi vista como uma vitória diplomática para a Rússia, já que Putin insiste que qualquer acordo de paz deve ser negociado nos termos de Moscou antes de um cessar-fogo.
Trump também prometeu garantias de segurança para a Ucrânia, embora não tenha detalhado como seriam implementadas. “Acredito que as nações europeias vão assumir grande parte do fardo. Vamos ajudá-las”, disse. Em resposta, Zelensky manifestou que está pronto para uma reunião trilateral com Trump e Putin, um sinal que considerou positivo.
Apesar do tom otimista, os líderes europeus mantêm a cautela. O presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Friedrich Merz insistiram que um cessar-fogo é essencial para qualquer avanço, temendo que Washington pressione Zelensky a aceitar concessões territoriais, como a perda da Crimeia e a desistência de entrar na Otan.
Zelensky, por sua vez, reafirmou seu objetivo de buscar uma “paz justa e duradoura”, sem abrir mão da soberania ucraniana. Ele enfatizou a necessidade do apoio dos parceiros americanos e europeus para “parar a Rússia”.
O principal resultado da reunião foi a proposta de um encontro trilateral entre Trump, Zelensky e Putin, ainda sem data definida. No entanto, a falta de consenso sobre o cessar-fogo e as garantias de segurança demonstra que o caminho para a paz continua repleto de obstáculos.
Macron defendeu um formato “quadrilateral” em vez de trilateral, com a inclusão de um representante europeu. Ele argumenta que a paz na Europa, e não apenas na Ucrânia, está em jogo, dadas as suspeitas de que Putin pode ter a intenção de avançar sobre outros países.
Durante a coletiva de imprensa, Trump declarou: “Tenho a sensação de que você [Zelensky] e Putin acharão uma solução. Uma solução que só pode ser alcançada em conjunto com o presidente Putin. Poderei participar dessa reunião, não quer dizer que eu queira, mas eu tentarei, pois salvaremos muitas vidas”.
Zelensky, que agradeceu os esforços de Trump, disse que ficaria feliz em participar da reunião com a Rússia e os Estados Unidos. Segundo ele, questões territoriais serão discutidas a portas fechadas com os líderes europeus.
“Vamos falar mais sobre garantias de segurança. É importante que os EUA deem essa garantia forte. Outro ponto é a questão humanitária. Com um acordo, trocaremos os prisioneiros”, concluiu Zelensky.





