O presidente Milei se protege das pedradas jogadas por militantes de oposição. (Foto: Rede Social)


Milei põe a mão na cabeça, mas a assessoria diz que ele não chegou a ser atingido. (Foto: Redes Sociais)

Na tarde de quarta-feira, 27, o presidente da Argentina, Javier Milei, foi alvo de um ataque durante uma carreata da coligação “La Libertad Avanza” em Lomas de Zamora, na província de Buenos Aires.

O evento, que fazia parte da campanha eleitoral de 2025, terminou em caos após manifestantes lançarem pedras e garrafas plásticas contra a comitiva presidencial.

Milei estava acompanhado por sua irmã e secretária-geral da Presidência, Karina Milei, e pelo deputado libertário José Luis Espert. A carreata havia começado por volta das 14h30, mas percorreu apenas duas quadras antes de ser interrompida por questões de segurança.

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Segundo relatos, o grupo agressor seria composto por militantes identificados com setores do kirchnerismo e da esquerda, embora essa informação ainda não tenha sido confirmada oficialmente.

O deputado Espert precisou deixar o local de motocicleta, enquanto Milei e sua equipe foram transferidos às pressas para um carro fechado, sob escolta policial.

O porta-voz presidencial, Manuel Adorni, se manifestou na rede X (antigo Twitter), condenando o ataque com duras palavras:

Além do ataque, o clima político já estava tenso devido à divulgação de áudios comprometedores envolvendo Diego Spagnuolo, ex-titular da Agência Nacional de Deficiência (Andis), que acusava Karina Milei e Eduardo “Lule” Menem de envolvimento em esquemas de corrupção. Milei rebateu as acusações com firmeza:

O episódio gerou grande repercussão na mídia e nas redes sociais, com manifestações tanto de apoio quanto de repúdio. O objetivo da visita de Milei à região era fortalecer sua base eleitoral na Terceira Seção Eleitoral, uma das mais populosas da província, mas acabou sendo marcado por violência e tensão.

Denúncia de corrupção

A Justiça argentina investiga um esquema de propinas na Agência Nacional de Deficiência (Andis), que teria envolvido contratos milionários para a compra de medicamentos. Os áudios atribuídos a Diego Spagnuolo, ex-diretor do órgão e advogado pessoal do presidente Javier Milei, citam repasses à irmã do mandatário, Karina Milei, e ao subsecretário Eduardo “Lule” Menem. O escândalo já levou a demissões, apreensão de dinheiro vivo e bloqueio de caixas de segurança, além de reforçar suspeitas de obstrução de provas após a descoberta de que mensagens foram apagadas do celular de Spagnuolo.

Spagnuolo, de 46 anos, foi afastado do cargo de diretor da Andis em 21 de agosto, após a divulgação dos áudios. Advogado próximo de Milei desde antes da eleição de 2023, era presença frequente na Casa Rosada e na residência oficial de Olivos. Sua gestão na Andis foi marcada por cortes de benefícios, declarações polêmicas e decisões administrativas contestadas.

Ele já havia causado indignação ao assinar uma resolução que classificava pessoas com deficiência intelectual como “idiotas” ou “imbecis”. Em outro episódio, disse a uma mãe de uma criança com autismo: “Se você teve um filho com deficiência, é problema da família, não do Estado”.