O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), intensificou sua atuação política nacional ao assumir a linha de frente na articulação de um projeto de anistia para os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A movimentação ocorre em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de tentativa de golpe de Estado.
A proposta de anistia, que circula nos bastidores do Congresso, ganhou força após uma série de encontros entre Tarcísio e lideranças do Republicanos, partido ao qual é filiado. Em reunião recente com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o governador buscou apoio para pautar o projeto ainda neste semestre. Embora Motta tenha evitado compromissos públicos, afirmou que “a proposta será debatida no momento certo”.
O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, foi mais explícito. Em publicação nas redes sociais, compartilhou uma foto ao lado de Tarcísio com a legenda: “Café da manhã com o nosso governador Tarcísio de Freitas. No cardápio do dia: anistia”. A frase foi interpretada como sinal verde para que o partido abrace a pauta, que tem forte apelo entre a base bolsonarista.
Tarcísio também tem mantido interlocução direta com Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar. Segundo aliados, o ex-presidente deu aval para que o governador assuma protagonismo na articulação da anistia e, possivelmente, na corrida presidencial de 2026. Em entrevista ao Diário do Grande ABC, Tarcísio foi enfático: “Se eleito presidente, meu primeiro ato será conceder indulto a Bolsonaro. Na hora. Porque eu acho que tudo isso que está acontecendo é absolutamente desarrazoado”.
A declaração repercutiu entre parlamentares do PL, partido de Bolsonaro. O líder da bancada na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou que a proposta de anistia será prioridade do partido, mas descartou versões “light” do projeto. “Não vamos aceitar anistia parcial. Ou é para todos os injustiçados ou não será”, disse.
Nos bastidores, a movimentação de Tarcísio é vista como tentativa de ampliar sua base política para além do bolsonarismo. A aposta é que o governador, com perfil técnico e capacidade de diálogo com o Centrão, possa se consolidar como alternativa viável para 2026. A participação de Tarcísio no ato bolsonarista previsto para 7 de setembro, na Avenida Paulista, ao lado de Michelle Bolsonaro e Romeu Zema, deve reforçar essa imagem.
Enquanto isso, o julgamento de Bolsonaro no STF segue em ritmo acelerado, com previsão de encerramento até 12 de setembro. O desfecho pode influenciar diretamente os rumos da candidatura de Tarcísio e a viabilidade da proposta de anistia.


