Unidade da montadora sul-coreana na Geórgia. (Foto: Divulgação)


Após a maior operação de imigração da história do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, que resultou na prisão de 475 trabalhadores, a maioria deles sul-coreanos, em uma fábrica da Hyundai na Geórgia, a montadora sul-coreana finalmente se pronunciou oficialmente.

Em comunicado divulgado neste sábado (6), a Hyundai Motor Company afirmou que os trabalhadores detidos “não eram empregados diretos da empresa”, mas sim contratados por empresas terceirizadas responsáveis pela montagem e logística da fábrica de baterias automotivas. “A Hyundai não tolera práticas ilegais de trabalho e está colaborando com as autoridades para esclarecer os fatos”, declarou o porta-voz global da empresa, Kim Do-hyun.

Impacto imediato

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A operação, realizada na sexta-feira (5), causou forte repercussão internacional e afetou diretamente as ações da Hyundai, que caíram 3,2% na Bolsa de Seul nas primeiras horas da manhã. A fábrica, que empregava cerca de 1.200 pessoas, teve suas atividades suspensas temporariamente.

Detalhes da operação

Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), os agentes identificaram trabalhadores com vistos vencidos, documentos falsos e ausência de autorização legal para trabalho. “Foi uma ação coordenada com base em meses de investigação. O número de detenções reflete a gravidade da situação”, afirmou o secretário do DHS, Alejandro Mayorkas.

Reação do governo sul-coreano

O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, classificou o episódio como “alarmante” e prometeu apoio jurídico e consular aos cidadãos detidos. “Estamos em contato direto com Washington e exigimos que os direitos dos nossos cidadãos sejam respeitados”, disse em pronunciamento oficial.

O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul enviou uma equipe diplomática à Geórgia e estuda enviar o chanceler Cho Hyun para negociações diretas com autoridades americanas. “Não podemos permitir que nossos cidadãos sejam tratados como criminosos sem o devido processo legal”, afirmou Cho.

Responsabilidade das terceirizadas

A empresa LG CNS, responsável por parte da operação logística da fábrica, também se manifestou: “Estamos revisando os contratos com nossos fornecedores e reforçando os critérios de conformidade com a legislação americana”, disse o diretor de operações, Park Sung-hoon.

Investimentos em risco

O episódio ocorre em meio a negociações bilaterais envolvendo US$ 350 bilhões em investimentos sul-coreanos nos EUA, incluindo fábricas de semicondutores, baterias e veículos elétricos. Analistas temem que o incidente possa comprometer acordos comerciais e diplomáticos entre os dois países.

A Hyundai informou que está conduzindo uma auditoria interna e que poderá romper contratos com fornecedores que tenham violado leis trabalhistas ou migratórias. “Nosso compromisso é com a legalidade e com o respeito aos direitos humanos”, concluiu o comunicado.