O Itaú Unibanco é o maior banco privado do Brasil: corte por baixa produtividade. (Reprodução: Redes Sociais)


O Itaú Unibanco, maior banco privado do Brasil, demitiu cerca de mil funcionários que atuavam em regime híbrido ou remoto. Segundo o próprio banco, a decisão foi tomada após uma “revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e ao registro de jornada”.

A instituição afirma que utilizou ferramentas de monitoramento para avaliar a produtividade dos colaboradores.

Foram analisados dados como uso da memória do computador, número de cliques, abertura de abas, inclusão de tarefas no sistema e criação de chamados.

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A partir desses indicadores, o banco identificou padrões de inatividade que, em alguns casos, chegavam a quatro horas consecutivas, o que foi considerado incompatível com os “princípios de confiança” da empresa.

Em nota oficial, o Itaú declarou:

“Em alguns casos, foram identificados padrões incompatíveis com nossos princípios de confiança, que são inegociáveis para o banco. A medida faz parte de um processo de gestão responsável, com o objetivo de preservar nossa cultura e a relação de confiança que construímos com clientes, colaboradores e a sociedade”.

O episódio gerou forte reação do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, que classificou as demissões como arbitrárias e desrespeitosas. Segundo o sindicato, os funcionários foram dispensados sem advertência prévia, sem diálogo e sem possibilidade de correção de condutas.

A presidente do sindicato, Neiva Ribeiro, afirmou:

“Não é razoável usar mecanismos de monitoramento e vigilância para justificar cortes em massa. É preciso estabelecer limites claros para a vigilância digital. Estamos falando de cerca de mil pessoas. Isso afeta vidas, famílias e gera um clima de medo”.

O sindicato também destacou que o Itaú obteve lucro superior a R$ 22,6 bilhões no primeiro semestre de 2025, com rentabilidade em alta.

“É inaceitável que uma instituição que registra lucros bilionários promova demissões em massa sob a justificativa de ‘produtividade’”, diz a nota oficial da entidade.

Especialistas em gestão de carreira apontam que o caso reflete um momento de transição no mercado de trabalho. Fernando De Vincenzo, da consultoria Cornerstone Career Services, comentou:

“Estamos falando de um modelo ainda imaturo, tanto para as empresas, que precisam criar formas de gestão e acompanhamento de produtividade, quanto para os profissionais, que devem assumir autonomia e responsabilidade pelos resultados”.

A repercussão nas redes sociais foi intensa, com relatos de funcionários que alegam terem sido pegos de surpresa. Alguns mencionaram que ligavam seus computadores diariamente, mas não recebiam tarefas ou orientações claras.

O caso do Itaú se soma a uma tendência global de revisão do home office. Empresas como Amazon e Dell já tomaram medidas para restringir ou condicionar o trabalho remoto, alegando perda de produtividade e dificuldades de gestão.

Embora o Itaú não tenha confirmado oficialmente o número exato de demissões, estima-se que os cortes tenham afetado cerca de 1% do quadro total de funcionários, que gira em torno de 100 mil pessoas.