Instituto de Criminalística faz perícia em garrafas. (Foto: Ag. Gov)


O governo de São Paulo atualizou, nesta sexta-feira (3), o balanço de casos de intoxicação por metanol no estado e anunciou medidas emergenciais para conter a crise sanitária. Ao todo, são 102 casos registrados — 11 confirmados e 91 em investigação — com oito mortes, sendo uma já confirmada na capital e outras oito sob apuração.

Na Grande São Paulo, outros municípios também aparecem com registros:

São Bernardo do Campo: 21 em investigação e 1 confirmado
Santo André: 4 em investigação
Osasco: 4 em investigação
Guarulhos: 1 em investigação e 1 confirmado
Itapecerica da Serra: 1 confirmado
Mauá: 1 em investigação
Diadema: 1 em investigação
Ferraz de Vasconcelos: 1 em investigação
Taboão da Serra: 1 em investigação

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No interior e no litoral, os registros são mais isolados. Araçatuba, Cajuru, Jundiaí, Limeira, Ribeirão Preto, Rio Claro, Santos, São José dos Campos, São Vicente: todos com 1 caso em investigação cada.

Alerta à população

A recomendação oficial é clara: evitar o consumo de bebidas destiladas sem procedência. O metanol, substância tóxica presente em bebidas adulteradas, combustíveis e solventes, pode causar cegueira irreversível e levar à morte. Os sintomas incluem dor abdominal intensa, tontura e confusão mental. O atendimento médico nas primeiras seis horas após o início dos sintomas é considerado decisivo para evitar o agravamento do quadro clínico.

Rede de saúde mobilizada

Para atender os pacientes, o governo estadual reforçou o estoque de antídoto com a aquisição de 2 mil novas ampolas de álcool etílico absoluto, somando 2.500 unidades disponíveis nos centros de referência: Hospital das Clínicas de São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto. A distribuição é coordenada pela Secretaria da Saúde, que orienta os serviços municipais a solicitarem o medicamento mediante envio da ficha de notificação do caso.

O protocolo de testagem também foi ampliado. Amostras de sangue e urina são analisadas em até uma hora pelo Laboratório de Toxicologia Analítica Forense (LATOF), da USP de Ribeirão Preto, com logística coordenada pelo Instituto Adolfo Lutz. O método utilizado — cromatografia gasosa — é considerado padrão ouro para detecção de metanol.

Gabinete de crise e força-tarefa

Desde segunda-feira (29), o Governo de São Paulo mantém um gabinete de crise com atuação conjunta das secretarias da Saúde, Segurança Pública, Fazenda e Justiça. A força-tarefa intensificou as fiscalizações em bares, adegas e distribuidoras em todo o estado. Somente nesta semana, foram apreendidas 4.500 garrafas suspeitas — 1.000 em ações integradas e 3.500 pela Polícia Civil.

Ao todo, 10 estabelecimentos foram interditados de forma preventiva, sendo seis na capital (Bela Vista, Itaim Bibi, Jardins, Mooca, M’Boi Mirim e Cidade Dutra) e quatro na Grande São Paulo (Osasco, São Bernardo do Campo e Barueri). O governador Tarcísio de Freitas determinou o cancelamento cautelar da inscrição estadual de oito locais flagrados vendendo bebidas falsificadas — seis distribuidoras e dois bares.

“Determinei que a Secretaria da Fazenda cancele, de forma cautelar, a inscrição estadual de todos os estabelecimentos flagrados vendendo bebidas falsificadas, adulteradas ou sem nota fiscal. Em São Paulo, faremos tudo para proteger a saúde, fazer cumprir a lei e garantir segurança ao consumidor”, afirmou o governador.

Prisões e fiscalização

Desde o início do ano, 30 pessoas foram presas por envolvimento com falsificação de bebidas, sendo oito apenas nesta semana. As ações mais recentes ocorreram em Americana, na segunda-feira (30), e em Dobrada, na quinta-feira (2). Desde janeiro, foram apreendidas cerca de 50 mil garrafas em operações policiais.

As Vigilâncias Sanitárias municipais e estadual intensificaram as inspeções. Em setembro, foram realizadas mais de 43 mil ações de fiscalização nos 645 municípios paulistas, abrangendo comércios de bebidas, alimentos, bares, restaurantes e adegas.