O anúncio de Donald Trump de anexar Gaza surpreendeu o mundo e causou indignação dos países árabes.
O anúncio foi em entrevista conjunta com o primeiro-ministro israelense na Casa Branca nesta terça-feira (04/02). o presidente dos Estados Unidos sugeriu que seu país poderia “assumir” a Faixa de Gaza e reerguer o território palestino até ele se tornar a “Riviera do Oriente Médio”.
Trump afirmou que vislumbra a suposta tomada do território pelos EUA como uma ocupação a “longo prazo”.
“Possuir aquele pedaço de terra, desenvolvê-lo, criar milhares de empregos. Vai ser realmente magnífico”, afirmou o presidente americano.
Trump sugeriu também que os palestinos poderiam ser levados para fora de Gaza enquanto o território fosse restabelecido.
Gaza sofreu destruição em larga escala durante ofensiva israelense — que, por sua vez, foi uma resposta aos ataques do grupo palestino Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023. Mais de 40 mil palestinos morreram nos ataques de Israel a Gaza, em represália à agressão do Hamas e o sequestro de cidadãos judeus.
Autoridades árabes que reagiram após os comentários do presidente Donald Trump nesta terça-feira (4) sobre os EUA assumirem controle de Gaza expressaram surpresa, preocupação e pessimismo com a declaração.
Foi “áspero, difícil de entender e digerir”, disse uma autoridade, acrescentando que “precisam de clareza e desenvolvimento adicional para serem compreendidos”.
Uma segunda autoridade, um diplomata, afirmou que os comentários colocarão em risco o frágil acordo de cessar-fogo em Gaza e os comparou ao que Trump disse sobre anexar o Canadá e a Groenlândia.
“É essencial reconhecer as profundas implicações que tais propostas têm nas vidas e na dignidade do povo palestino, bem como no Oriente Médio em geral”, disse o diplomata.
“Além disso, a realidade permanece, 1,8 milhão de pessoas em Gaza resistiriam a tal iniciativa e se recusariam a sair”, ele continuou. “É improvável que a Arábia Saudita busque a paz nessas circunstâncias, e outras nações podem reconsiderar seus compromissos com os Acordos de Abraão”.
O diplomata acrescentou que o momento da mudança “levanta preocupações significativas, particularmente enquanto nos esforçamos para manter um cessar-fogo frágil e negociar um possível acordo de reféns”.
“Declarações como essas podem inadvertidamente colocar em risco o progresso que fizemos e ameaçar desfazer o delicado equilíbrio que estamos trabalhando para alcançar”, eles disseram.
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu expressou apoio às declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a possibilidade dos EUA assumirem uma “posição de posse de longo prazo” em Gaza.
O líder israelense disse que a ideia de Trump pode “mudar a história” e que “vale a pena realmente seguir essa via.”
A intenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de assumir o controle da Faixa de Gaza “a longo prazo” e retirar a população do território palestino causou um choque diplomático em todo o mundo. Contudo, a proposta do republicano não foge da ambição expansionista de sua nova administração, opina a DW, emissora estatal da Alemanha.
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, há pouco mais de duas semanas, sua abordagem “America First” (EUA primeiro) se traduziu numa clara intenção de adquirir novos territórios, mesmo depois de atravessar uma campanha eleitoral com promessas de manter a nação fora de “guerras eternas”.
Trump levantou a possibilidade de os EUA assumirem o controle de Gaza durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca nesta terça-feira (04/02), ao lado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Ele disse que imagina a construção de um lugar onde comunidades internacionais possam viver em harmonia.
“Os Estados Unidos vão assumir o controle da Faixa de Gaza, e faremos um grande trabalho lá. Será nossa responsabilidade desmontar todas as bombas não detonadas, nivelar o solo, nos livrar dos edifícios destruídos e terraplanar a área para impulsionar o desenvolvimento econômico que gerará uma quantidade ilimitada de empregos e moradias para a população”, disse Trump. Em outro momento, citou que a estratégia permite “reconstruir a força dos EUA na região”.
Trump também sugeriu deslocar mais de 2 milhões de palestinos que vivem em Gaza, sugerindo que a região havia se tornado inabitável após quase 16 meses de guerra entre Israel e o grupo radical islâmico Hamas. O ataque terrorista do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, foi o estopim do conflito.
“Você transformará o local em um lugar internacional e inacreditável. Acho que o potencial e a Faixa de Gaza são inacreditáveis”, disse Trump. “E acho que o mundo inteiro, representantes de todo o mundo, estarão lá e viverão lá. Os palestinos também, os palestinos viverão lá. Muitas pessoas viverão lá”, completou.
Críticos o acusam de tratar o território palestino como uma propriedade imobiliária. No ano passado, o genro e ex-assessor de Trump, Jared Kushner, descreveu Gaza como uma região “valiosa” à beira-mar.
Já Netanyahu elogiou Trump por “pensar fora da caixa”, mas nenhum dos líderes abordou a legalidade da proposta. O premiê israelense declarou ainda que o plano do americano seria uma ideia que “pode mudar a história”. “Penso que é algo que pode mudar a história. E vale a pena tentar”, acrescentou.



