Tudo foi destruído em Gaza: casas, apartamentos, infraestrutura. (Foto: Redes Sociais)


A devastação da Faixa de Gaza após meses de bombardeios e confrontos armados reacende uma questão recorrente e complexa: quem será responsável por reconstruir um território marcado por sucessivas destruições?

Estimativas recentes apontam que o custo da reconstrução pode ultrapassar US$ 80 bilhões, valor que representa não apenas a restauração de infraestrutura, mas também a tentativa de devolver dignidade a uma população exaurida.

Segundo relatório conjunto do Banco Mundial, Nações Unidas e União Europeia, o custo inicial foi estimado em US$ 53 bilhões, mas o primeiro-ministro palestino Muhammad Mustafa elevou esse número diante da magnitude da destruição. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por sua vez, calcula que apenas o setor de saúde exigirá mais de US$ 7 bilhões — dos 36 hospitais existentes, apenas 14 continuam operando, e mais de 1.700 profissionais da saúde foram mortos desde o início do conflito.

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A reconstrução, no entanto, não se limita a cifras. Ela envolve disputas geopolíticas, interesses estratégicos e responsabilidades históricas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o custo pode chegar a trilhões de dólares, mas que os países árabes vizinhos devem assumir a maior parte da responsabilidade financeira. Essa posição reflete uma tendência de externalização do ônus, enquanto as potências envolvidas direta ou indiretamente no conflito evitam compromissos concretos.

A população de Gaza, por sua vez, enfrenta o desafio cotidiano de sobreviver em meio aos escombros. Segundo a ONU, 90% dos habitantes foram forçados a abandonar suas casas, e muitos vivem em abrigos improvisados, sem acesso a água potável, eletricidade ou serviços básicos. A destruição não é apenas física — é também social, econômica e simbólica.

A reconstrução de Gaza exige mais do que investimentos: requer vontade política internacional, respeito ao direito humanitário e compromissos duradouros com a paz. Sem isso, qualquer esforço será apenas paliativo, perpetuando o ciclo de destruição e reconstrução que há décadas define a realidade palestina.