A pré-candidatura do senador Sérgio Moro (União Brasil) ao governo do Paraná mergulhou o Progressistas (PP) em uma profunda crise de articulação e lealdade, provocando uma “debandada de prefeitos no Estado”. O movimento de desfiliação em massa é interpretado nos bastidores como um realinhamento pragmático das bases municipais em torno do atual governador, Ratinho Júnior (PSD).
Custo politico de Moro
As dissidências no PP, sigla presidida no Paraná pela deputada federal Maria Victória, tornaram-se um problema incontornável para a legenda. Segundo dirigentes do Progressistas ouvidos pela reportagem, a crise alcançou proporções alarmantes, atingindo “metade dos prefeitos eleitos em 2024” pela sigla.
O impacto é quantificado: de um total de 61 prefeitos eleitos sob a bandeira do PP no último pleito municipal, “18 deixaram a sigla” em um período recente, concentrando-se após a intensificação da movimentação de Moro em busca do Palácio Iguaçu. A debandada representa não apenas uma perda numérica, mas o enfraquecimento do poder de barganha do PP nas futuras negociações estaduais.
O Novo Eixo: Aliança com o PSD
A saída dos gestores municipais tem um destino claro: o grupo político do PSD, partido do governador Ratinho Júnior. Os prefeitos estariam sinalizando abertamente o “alinhamento ao grupo político do PSD”, buscando segurança e continuidade de parcerias com o Executivo estadual.
Essa realocação de forças sugere que, diante da perspectiva de uma candidatura de oposição robusta liderada por Moro, os quadros do PP preferiram se antecipar, garantindo o apoio da máquina estadual e evitando a polarização que poderia prejudicar a governabilidade e o acesso a recursos federais e estaduais em seus municípios. O movimento reforça a força de Ratinho Júnior no interior, blindando sua base antes do embate eleitoral.
O Silêncio
Procurado pela reportagem para comentar as perdas sofridas pelo PP em decorrência de sua pré-candidatura e o consequente fortalecimento da base de Ratinho Júnior, o senador Sérgio Moro (União Brasil) preferiu não se manifestar. Moro não respondeu aos questionamentos, mantendo o silêncio em meio à primeira grande crise de estrutura política gerada por seu projeto eleitoral. O contexto revela a dificuldade do União Brasil em cooptar o apoio das tradicionais estruturas partidárias do Paraná.


