Começou na Corte Criminal do Tribunal de Annecy, nos Alpes franceses, o julgamento do brasileiro Edi Maikel dos Santos Silva, 38, ex-pastor evangélico, acusado de três estupros e três agressões sexuais contra menores.
Os crimes teriam ocorrido ao longo de duas décadas, em diferentes contextos familiares e religiosos, envolvendo ao menos oito vítimas — todas com algum grau de parentesco com o réu.
Natural de Belém (PA), Edi Maikel está preso preventivamente desde maio de 2022. Atuava como pastor em Annemasse, cidade francesa na fronteira com a Suíça, onde parte dos abusos teria ocorrido. Em três dos seis casos formalmente denunciados, o acusado exercia autoridade sobre as vítimas, o que pode agravar sua pena conforme a legislação francesa.
Relatos de vítimas
Entre os depoimentos mais contundentes está o de Camilla Araújo de Souza, sobrinha do réu, que afirma ter sido abusada desde os 12 anos. Segundo ela, os abusos começaram no Brasil e se intensificaram após sua mudança para a França. “O que mais me revolta é ele dizer que é cristão, que acredita em Deus, mas não assumir o que fez”, declarou à RFI.
Outras vítimas também prestaram depoimento, como Marjorie Vieira Palheta, filha da ex-esposa de Edi Maikel. Os abusos teriam começado quando ela tinha cinco anos e duraram cerca de uma década. Exames psicológicos realizados pelo tribunal indicam que a jovem desenvolveu transtornos graves, como insônia, medo de homens e vergonha profunda.
Negação e estratégia de defesa
Durante a audiência, o réu negou todas as acusações, alegando ser vítima de um complô familiar. Segundo familiares, essa postura tem sido recorrente, mesmo diante de provas, testemunhos e laudos. A defesa, liderada pela advogada Sylvie Correia, optou por não solicitar audiência fechada, permitindo que os fatos fossem expostos publicamente.
A mãe do acusado, convocada para depor, não compareceu, apresentando atestado médico. Já o tio das vítimas, Frédéric Cordeiro Brasil, relatou que suas filhas também foram molestadas e criticou a postura cínica do réu: “Ele olha para as vítimas com desprezo e falta de respeito”.
A legislação francesa prevê penas mais severas quando os crimes envolvem membros da própria família. Se condenado, Edi Maikel pode cumprir até 20 anos de prisão. O julgamento, que se estende até sexta-feira (7), é considerado pelas vítimas como um marco para a reparação e reconhecimento dos abusos sofridos.


