A deputada estadual paulista Carla Morando (PSDB) acusou a Enel de transformar os apagões de energia elétrica em São Paulo em rotina e defendeu o fim da concessão da empresa pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
“A Enel virou sinônimo de apagão”, disparou a parlamentar em entrevista ao programa BC TV, do portal Brasil Confidencial.
Relatora da CPI que investigou a distribuidora na Assembleia Legislativa de São Paulo, Morando denunciou demissões em massa, falta de fiscalização e um modelo de gestão que, segundo ela, “prioriza o lucro e abandona o consumidor”.
A Aneel suspendeu nesta semana a análise da renovação ou não do contrato de concessão da Enel. Leia mais aqui.
Falta de energia virou rotina
“A Enel transformou a falta de energia em algo normal — e não deveria ser. Atrapalha o comércio, as famílias e causa prejuízo diário à economia”, afirmou Morando, ao lembrar os sucessivos apagões registrados na Grande São Paulo e no ABC. Segundo ela, a população vive “no escuro, sem respostas e sem punições”.
Fiscalização travada
A deputada criticou o modelo de concessão federal, que limita a atuação do Estado e dos municípios. “A Arcesp (Agência Regulatória de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) tem direito de fiscalizar, mas depende da autorização da própria Enel. Ou seja, a empresa fiscaliza a si mesma. É um absurdo”, disse.
Morando relatou que, antes da CPI, buscou explicações diretamente com a empresa. “Levei um calhamaço de reclamações e um pendrive com denúncias. O superintendente me disse que não fazia ideia do que estava acontecendo. Se a Enel não sabe o que acontece em São Paulo, estamos perdidos.”
CPI esvaziada
Instaurada no início de 2023, a CPI da Enel, na Assembleia Legislativa, enfrentou dificuldades para avançar. “Muitas vezes não havia quórum e os requerimentos não eram aprovados”, contou. O cenário mudou após o apagão de novembro de 2023, que deixou milhões de consumidores sem energia por dias. “No dia seguinte ao apagão, o plenário lotou. Eu costumo dizer que foi o apagão que deu à luz à CPI”, ironizou.
Morando afirmou que resistiu à politização da comissão. “Deixei claro que a CPI não seria palanque. O objetivo era resolver o problema do cidadão.”
Relatório pede fim da concessão
O relatório final da CPI, relatado por Morando, apontou falhas graves no contrato da Enel, que vence em 2028. O documento recomenda auditoria nas contas da empresa dos últimos cinco anos, indiciamento de diretores e a caducidade da concessão.
“Enquanto isso, o governo federal fala em renovar o contrato. Como assim? É uma empresa que presta um péssimo serviço em São Paulo e no Rio de Janeiro. A Enel virou sinônimo de apagão”, afirmou.
Demissões e terceirização agravaram o problema
Morando também criticou a redução de funcionários após a Enel assumir a antiga Eletropaulo em 2019. “A Enel demitiu quem sabia fazer o trabalho. Contratou terceirizados sem treinamento e com salários baixos. Eles não têm culpa, estão tentando, mas não têm experiência. A culpa é da empresa, que quis reduzir custos e aumentar lucros.”
Segundo a deputada, a falta de equipes preparadas compromete a agilidade no atendimento. “Têm oito caminhões procurando o problema porque ninguém sabe onde está. Antes, um técnico experiente resolvia em minutos. Agora, a população fica horas ou dias sem luz.”
Modelo de investimento
Outro ponto levantado por Morando foi o modelo de investimento da Enel, que prioriza gastos próximos ao período de revisão tarifária, realizado a cada quatro anos. “Eles seguram investimentos nos dois primeiros anos, gastam no terceiro e no quarto, e depois voltam a reduzir. É um ciclo perverso. A manutenção é deixada de lado porque não gera lucro imediato.”
“Nada aconteceu — e o cidadão paga a conta”
A deputada foi enfática ao cobrar providências. “Nada aconteceu até agora. A Enel continua falhando e a população continua pagando caro. As contas sobem, a energia cai e ninguém é responsabilizado. Precisamos impedir a renovação dessa concessão e garantir um novo modelo de gestão que respeite o consumidor.”
O Brasil Confidencial está aberto para receber manifestação da Enel sobre as críticas feitas pela parlamentar.
📺 A entrevista completa está disponível no canal BC TV:


