Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Foto: Banco Master/Divulgação


A Justiça Federal de São Paulo manteve a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador e controlador do Banco Master, após audiência de custódia realizada na noite desta terça-feira (18/11). Vorcaro foi detido na segunda-feira no Aeroporto de Guarulhos, onde se preparava para embarcar a Dubai. A detenção ocorre no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos envolvendo instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional, incluindo o Banco de Brasília (BRB). A defesa informou que já prepara um habeas corpus e afirmou que o empresário estava disposto a cooperar com as autoridades.

De acordo com o processo, o Banco Master teria adquirido carteiras de crédito sem pagamento e posteriormente revendido ao BRB por R$ 12 bilhões, em transações realizadas em apenas dois meses. A operação da Polícia Federal cumpre cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 de busca e apreensão em cinco estados. O juiz responsável, Ricardo Augusto Soares Leite, destacou que existem indícios de um esquema estruturado para fraudar o sistema financeiro, manipular dados contábeis e ocultar informações, causando prejuízos a investidores e órgãos de controle.

A investigação acontece um dia após o anúncio da compra do Banco Master por um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, em parceria com o grupo de participações Fictor, com aporte inicial de R$ 3 bilhões. Além de Vorcaro, outras oito pessoas e cinco empresas foram alvo das medidas judiciais, incluindo executivos do BRB, sócios e diretores do Master, além de associações relacionadas a servidores públicos da Bahia. O bloqueio de bens também atingiu filhos menores de idade de todos os investigados.

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A Polícia Federal deve aprofundar a análise sobre a origem dos recursos movimentados e identificar os possíveis beneficiários finais das operações fraudulentas. Os investigados podem responder tanto a processos criminais quanto a sanções administrativas impostas pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A defesa de Vorcaro, por sua vez, reafirmou a disposição de colaborar com a Justiça e fornecer informações que possam auxiliar na investigação.