A Receita Federal, em conjunto com o Ministério Público, Polícia e órgãos estaduais, deflagrou nesta semana a Operação Poço de Lobato, considerada a maior já realizada contra a sonegação fiscal no setor de combustíveis.
O grupo empresarial investigado é apontado como o maior devedor contumaz do Brasil, com dívidas superiores a R$ 26 bilhões e movimentações financeiras que ultrapassaram R$ 70 bilhões em apenas um ano.
O nome da operação faz referência ao Poço de Lobato, localizado em Salvador (BA), onde em 1939 foi registrada a primeira descoberta de petróleo em território nacional. Embora a produção tenha sido modesta, o episódio tornou-se um marco histórico da indústria petrolífera brasileira. A escolha do título busca simbolizar o elo direto com o setor de combustíveis, alvo central das fraudes apuradas.
Segundo a Receita, o grupo utilizava uma rede de empresas próprias, fundos de investimento e offshores para ocultar lucros e driblar o fisco. A investigação identificou ainda vínculos com uma exportadora sediada em Houston, nos Estados Unidos, e mais de 15 offshores em diferentes países.
Foram cumpridos 126 mandados de busca e apreensão em cinco estados — São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Bahia. A operação mobilizou centenas de agentes e contou com apoio da Polícia Federal e das secretarias estaduais da Fazenda.
Contexto histórico
O Poço de Lobato, perfurado em 1939, inaugurou a exploração petrolífera no Brasil e alimentou a ideia de que o país poderia desenvolver uma indústria própria de combustíveis. Ao recuperar esse símbolo, os investigadores destacam a relevância estratégica do setor e a necessidade de reforçar a legalidade em um mercado historicamente marcado por disputas econômicas e políticas.


