Dinheiro e relógios de luxo apreendidos com alvos da operação. (Foto: Ag. Gov)


A Operação Fisco Paralelo, realizada nesta quinta-feira (26) pelo Ministério Público de São Paulo e pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, teve como alvo gigantes do varejo como Carrefour, Kalunga, Casas Bahia, Caoa e Center Castilho.

A ofensiva investiga um esquema de corrupção e manipulação de créditos tributários dentro da estrutura do fisco paulista, com indícios de lavagem de dinheiro e pagamento de propinas.

A ação é um desdobramento da Operação Ícaro, iniciada em agosto de 2025, que já havia revelado um esquema bilionário de corrupção fiscal envolvendo as redes Ultrafarma e Fast Shop.

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Segundo os promotores do Gedec (Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos), o objetivo agora é ampliar as provas e identificar a extensão da rede de corrupção em unidades estratégicas da Fazenda.

O papel do Carrefour e da executiva Luciene Petroni

O foco das investigações recai sobre Luciene Petroni Castro Neves, head de tributos do Carrefour.
De acordo com o MP-SP, mensagens interceptadas mostram que Luciene manteve “contato intenso” com um auditor fiscal entre julho de 2021 e agosto de 2025. Nesse período, o servidor teria prestado uma “verdadeira assessoria tributária criminosa” à executiva.

As apurações indicam que o auditor orientava a rede varejista sobre documentos, acelerava processos de ressarcimento de ICMS-ST (Substituição Tributária) e concedia créditos em desacordo com a legislação.

Para os promotores, Luciene “teria participado da estrutura destinada a favorecer a empresa mediante o possível pagamento de propinas e lavagem de ativos”.

Para dificultar o rastreio das negociações ilícitas, o grupo utilizava aplicativos de mensagens com criptografia de ponta a ponta e visualização única, como Wickr e Session.

Mandados e apreensões

Ao todo, foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Campinas, Vinhedo e São José dos Campos.

Os alvos incluem endereços ligados a servidores de delegacias regionais tributárias estratégicas, como as da Lapa, Butantã, Osasco e a própria Diretoria de Fiscalização (Difis).

Em Campinas, os agentes apreenderam quase R$ 22 mil em espécie, além de US$ 1.800 e 95 libras. Também foram recolhidos três computadores e três celulares, cujas senhas foram fornecidas pelos investigados.

Em nota oficial, a Secretaria da Fazenda declarou que “atuam de forma integrada e com rigor no combate à sonegação, à lavagem de dinheiro e a crimes contra a ordem tributária”.

A secretaria informou ainda que existem 33 procedimentos administrativos em curso para apurar irregularidades envolvendo servidores, o que pode resultar em demissões.

Outro lado

Até o fechamento desta reportagem, as empresas citadas não haviam respondido aos pedidos de esclarecimento. O Carrefour foi procurado às 9h, enquanto Kalunga, Casas Bahia e Caoa receberam solicitações por e-mail às 10h.

A defesa de Silva Neto e os representantes da Center Castilho também não foram localizados ou não se manifestaram. A executiva Luciene Petroni Castro Neves também não está respondendo aos contatos.

Contexto

A Operação Fisco Paralelo ocorre apenas duas semanas após a Operação Mágico de Oz, que também investigou fraudes na arrecadação do ICMS em Osasco. O movimento reforça o cerco das autoridades contra a manipulação de processos fiscais no estado de São Paulo, em um esforço para desarticular esquemas que drenam bilhões dos cofres públicos.