A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (6) a Operação Zona Cinzenta, que apura suspeitas de irregularidades na gestão de recursos da Amapá Previdência (Amprev). Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Macapá, autorizados pela 4ª Vara Federal.
Entre os investigados estão o presidente da autarquia, Jocildo Silva Lemos, e dois integrantes do comitê de investimentos, Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves.
A ação busca esclarecer a aplicação de cerca de R$ 400 milhões do Regime Próprio de Previdência Social do Estado em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, operação considerada de alto risco.
O Banco Master foi liquidado em novembro pelo Banco Central, após constatação de grave crise de liquidez. A instituição não tinha recursos para honrar compromissos com clientes e investidores.
Suspeitas de gestão temerária
A PF e o Ministério Público investigam se a Amprev recebeu alertas técnicos sobre os riscos das operações e se esses pareceres foram ignorados ou suprimidos. As apurações envolvem possíveis crimes de gestão fraudulenta e temerária, já que os investimentos não seriam compatíveis com a natureza previdenciária dos recursos.
Os materiais apreendidos passarão por perícia e análise contábil. O objetivo é reconstruir a cadeia de decisões, identificar responsabilidades individuais e dimensionar eventuais prejuízos ao patrimônio destinado ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores do Amapá.
Caso Banco Master
Esta é a segunda previdência estadual a ser investigada por aportes no Banco Master. No Rio de Janeiro, o ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso na terça-feira (3) na segunda fase da Operação Barco de Papel. A investigação aponta que o fundo fluminense aplicou cerca de R$ 970 milhões em operações semelhantes entre 2023 e 2024.
As informações da Operação Zona Cinzenta também serão cruzadas com dados da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades bilionárias envolvendo o Banco Master em diferentes estados.





