O governador de Roraima, Antonio Denarium (Progressistas) - Foto: Agência Brasil


Ecoando a retórica de “fronteiras fortes” característica do trumpismo, o governador de Roraima, Antonio Denarium (Progressistas), defendeu nesta sexta-feira (30) o endurecimento das leis de imigração e a criação de um pavilhão exclusivo para estrangeiros no sistema prisional do estado.

A ofensiva ocorre em um momento de instabilidade na Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA, embora o fluxo migratório em Pacaraima (RR) tenha registrado queda de 45% em janeiro.

Para Denarium, o Brasil deve exigir atestado de antecedentes criminais para a entrada de vizinhos e investir em barreiras mais rígidas. “Hoje, criminosos estão entrando como refugiados”, afirmou em entrevista à BBC News Brasil.

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A proposta de segregar presos estrangeiros em uma ala específica seria financiada com R$ 69 milhões de recursos federais, fruto de um acordo com a União para compensar gastos estaduais com a crise humanitária.

Ordem e Segurança

O governador, que cumpre segundo mandato sob o risco de cassação no TSE por abuso de poder, nega inclinações extremistas, mas adota pautas caras à direita conservadora. Ele alega que 30% dos custos de saúde e segurança de Roraima são consumidos pelo atendimento a venezuelanos.

“Temos que ter restrições. A pessoa chega, diz que perdeu o documento e ganha uma nova identidade no Brasil”, criticou o governador. Segundo ele, facções venezuelanas utilizam a fronteira seca para o tráfico de armas e drogas.

Contraponto

Apesar do pleito de Denarium, o Tribunal de Justiça de Roraima informou que não há estudos formais para a criação de uma ala exclusiva para estrangeiros. O órgão ressaltou que tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário proíbem a discriminação e exigem tratamento igualitário a presos, independentemente da nacionalidade.

Denarium deve deixar o cargo em abril para disputar o Senado. No horizonte político, ele evita declarar apoio direto a nomes como Tarcísio de Freitas ou Flávio Bolsonaro, mas afirma que o Congresso deve ser o palco para uma “lei de imigração mais moderna” e restritiva.