Ailton de Aquino, diretor do Banco Central, que depôs à PF. (Foto: EBC)


O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou em depoimento à Polícia Federal que as perdas do Banco de Brasília (BRB) em operações com o Banco Master podem alcançar R$ 5 bilhões. A declaração, feita em 30 de dezembro e revelada nesta semana, lança nova luz sobre a gravidade das suspeitas de fraude envolvendo a compra de carteiras de crédito pelo BRB.

Segundo Aquino, já foram identificados R$ 2,6 bilhões em prejuízos decorrentes das operações. Além disso, há indícios de que outros R$ 2,2 bilhões em ativos de baixa qualidade possam ampliar o rombo. O montante total, caso confirmado, representaria quase metade do patrimônio líquido do banco público, controlado pelo governo do Distrito Federal.

A investigação conduzida pela Polícia Federal apura irregularidades na aquisição de carteiras de crédito do Banco Master, avaliadas em cerca de R$ 12,2 bilhões. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal e levanta questionamentos sobre falhas de governança e auditoria no BRB. Documentos apontam que parte dos ativos adquiridos apresentava baixa liquidez e elevado risco de inadimplência, o que teria sido ignorado pela administração da instituição.

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O Banco Central já determinou que o BRB faça provisões de aproximadamente R$ 2,7 bilhões para cobrir perdas potenciais. A autarquia avalia exigir novas reservas, caso se confirme a necessidade de provisionar os R$ 2,2 bilhões adicionais mencionados por Aquino. A medida busca preservar a estabilidade do sistema financeiro e evitar que o impacto se espalhe para outras instituições.