O rastro de milhões do Banco Master, sob o comando do banqueiro Daniel Vorcaro, expõe uma rede de pagamentos que atravessa partidos, governos e até famílias de ministros do Supremo Tribunal Federal. Documentos oficiais da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado revelam que, entre 2022 e 2025, foram distribuídos cerca de R$ 195,8 milhões em contratos classificados como “consultorias”, “mediações” e “serviços advocatícios”.
A lista de beneficiários inclui nomes centrais da política e da Justiça brasileira, de Michel Temer a familiares de Alexandre de Moraes, passando por Guido Mantega, Henrique Meirelles, Marconi Perillo, Jaques Wagner, ACM Neto, Ricardo Lewandowski, Antônio Rueda, Ratinho Junior e Fabio Wajngarten.
Os valores, declarados pela própria instituição financeira, impressionam pela magnitude e pela proximidade dos beneficiários com o centro do poder. A seguir, os repasses detalhados:
- Barci de Moraes (família de Alexandre de Moraes) – R$ 80,2 milhões (2024-2025)
- Grupo Massa (família de Ratinho Junior) – R$ 24 milhões (2022-2025)
- Henrique Meirelles (ex-ministro e ex-BC) – R$ 18,5 milhões (2024-2025)
- MV Projetos e Consultoria (Marconi Perillo, ex-governador de GO) – R$ 14,5 milhões (2022-2025)
- Pollaris Consultoria (Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda) – R$ 14 milhões (2024-2025)
- BN Financeira (Bonnie Bonilha, nora de Jaques Wagner) – R$ 12 milhões (2022-2025)
- Temer Advogados Associados (Michel Temer, ex-presidente) – R$ 10 milhões declarados (2025; Temer afirma ter recebido R$ 7,5 milhões)
- Rueda Advogados (Antônio Rueda, presidente do União Brasil) – R$ 6,4 milhões (desde 2023)
- Lewandowski Advocacia (família de Ricardo Lewandowski) – R$ 6,1 milhões (desde 2023)
- A&M Consultoria (ACM Neto, ex-prefeito de Salvador) – R$ 5,5 milhões (2023-2025)
- WF Comunicação (Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação) – R$ 3,8 milhões (2025)
- Jaques Wagner (líder do governo no Senado) – R$ 289 mil (2023-2025)
- Total: R$ 195,8 milhões (ou R$ 193,3 milhões, caso prevaleça o valor contestado por Michel Temer).
O outro lado
As defesas convergem em um ponto central: a legalidade dos contratos. O escritório Barci de Moraes sustenta que nunca atuou em processos do STF e que mobilizou 15 advogados para atender às demandas. Michel Temer afirma que sua atuação visava destravar negócios entre o Master e o Banco de Brasília. Henrique Meirelles e Guido Mantega defendem a natureza técnica de suas consultorias. O Grupo Massa declara que os rendimentos são fruto de parcerias comerciais e publicitárias.
O Banco Master, que enfrentou colapso e liquidação, tornou-se o epicentro de uma investigação que busca separar a fronteira entre serviços legítimos e tráfico de influência. Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal sob suspeita de fraude e ameaças, negocia um acordo de colaboração premiada. Se homologado, poderá detalhar a finalidade política desses repasses milionários e abalar ainda mais os alicerces de Brasília.





