O Ministério da Fazenda divulgou nesta sexta-feira (6) o Boletim Macrofiscal com novas estimativas para a economia brasileira.
A pasta passou a prever crescimento de 2,3% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, mantendo o mesmo ritmo esperado para 2025, e aposta em nova queda da inflação, mesmo diante de juros elevados.
Cenário de crescimento
A projeção oficial para o PIB de 2025 foi ajustada de 2,2% para 2,3%, em linha com a mediana das expectativas do mercado, que aponta alta de 2,27%.
Caso se confirme, o resultado representará uma desaceleração significativa frente ao avanço de 3,4% em 2024, o maior desde 2021.
Será também o menor crescimento desde 2020, quando a economia recuou 3,3% em meio à pandemia.
Para 2026, a Fazenda reduziu a projeção de 2,4% para 2,3%, indicando estabilidade no ritmo de expansão. O mercado financeiro, porém, trabalha com uma expectativa mais modesta, de 1,8%.
Segundo o boletim, o desempenho setorial deve mostrar desaceleração da agropecuária, compensada por maior dinamismo da indústria e dos serviços.
Inflação em trajetória de queda
O governo projeta que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recue para 3,6% em 2026, repetindo a estimativa feita em novembro.
Em 2025, a inflação oficial foi de 4,26%.
O mercado financeiro também prevê queda, mas em patamar um pouco mais elevado, de 3,99%.
De acordo com a Secretaria de Política Econômica, a redução deve refletir o excesso de oferta de bens, a valorização do real frente ao dólar e os efeitos defasados da política monetária — a taxa Selic está em 15% ao ano, o maior nível em duas décadas.
Contexto político e econômico
O ano de 2026 será marcado por eleições presidenciais, o que tende a aumentar a atenção sobre os indicadores econômicos. A manutenção de crescimento moderado, mesmo com juros elevados, reforça a avaliação do governo de que a economia segue resiliente.
A Fazenda destaca que o desafio será equilibrar a política monetária restritiva com a necessidade de sustentar o ritmo da atividade, em um ambiente de inflação em queda e expectativas de estabilidade fiscal.


