O ex-senador Joël Guerriau foi condenado por ter drogado a deputada Sandrine Josso com a intenção de estuprá-la. (Reproduções)


O ex-senador francês Joël Guerriau, do partido centrista Horizons, foi condenado nesta terça-feira (27) a quatro anos de prisão, sendo 18 meses em regime fechado, por ter drogado a deputada Sandrine Josso com a intenção de estuprá-la. O crime aconteceu em novembro de 2023, durante um jantar no triplex do parlamentar em Paris.

A ordem de prisão foi suspensa devido ao recurso apresentado pela defesa, anunciado à imprensa após a audiência.

A Justiça concluiu que Guerriau adicionou MDMA, conhecida como ecstasy, ao champanhe servido à deputada.

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A substância é uma anfetamina modificada que combina efeito estimulante com propriedades alucinógenas, capazes de provocar lapsos de memória.

Segundo o site Public Senat, Sandrine Josso, deputada do partido Modem, também de centro, chegou ao apartamento do ex-senador no 7º distrito de Paris por volta das 20h, aproveitando uma pausa entre sessões da Assembleia Nacional. Ao chegar, percebeu que era a única convidada e que Guerriau estava de moletom.

No tribunal, Josso relatou que o parlamentar perguntou se ela preferia champanhe branco ou rosé. Ela escolheu o branco. Guerriau preparou as taças na cozinha e serviu a bebida. A deputada descreveu que o champanhe tinha um gosto “adocicado, quase um pouco viscoso”.

“Pensei que talvez fosse um champanhe ruim. Aí, ele insistiu para que brindássemos de novo. Achei aquilo estranho. E então ele ia até o interruptor de luz, aumentava muito a intensidade, depois diminuía. Voltava a se sentar. Dizia: ‘Mas você não está bebendo nada’”, contou.

De acordo com o tribunal, a intenção sexual do réu, que alegou um “acidente”, pode ser “deduzida” pelas “condições intimistas da noite” e pelas “declarações consistentes da denunciante”. Guerriau insistiu para que Josso bebesse a taça preparada por ele, que continha MDMA diluída.

A deputada deixou o triplex duas horas depois em um táxi e procurou colegas na Assembleia Nacional. Ela relatou forte estado de angústia, dificuldade para falar e se manter em pé, além de taquicardia.

Exames confirmaram intoxicação

Josso foi levada ao hospital, onde exames confirmaram intoxicação por ecstasy. Associada ao álcool, a droga pode causar lapsos de memória. Após o veredito, a deputada disse não esconder “seu alívio”.

Antes da deliberação, Guerriau reagiu: “Estou totalmente arrasado pelo que o procurador disse e por suas conclusões. Nunca tive a intenção de cometer uma agressão ou de fazer mal à deputada Josso”, afirmou, visivelmente abatido.

Senador entre 2011 e 2025, Guerriau havia votado a lei de 3 de agosto de 2018 que criou o crime de administração de substância nociva com a intenção de cometer estupro ou agressão sexual, passível de cinco anos de prisão e multa de € 75 mil.

O procurador lembrou a contradição:

“Não passou ao ato, é verdade, nenhum gesto foi esboçado em direção à deputada Josso, mas ele a drogou com o objetivo de estuprá-la. Se ele a drogou, foi para roubar a bolsa dela?”, ironizou.

Repercussão

Após o episódio, Sandrine Josso passou a se dedicar a projetos contra o uso de drogas para submissão química. O tema ganhou destaque na França após o caso de Gisèle Pelicot, drogada durante dez anos pelo marido, que a oferecia para ser estuprada por desconhe