Greg Bovino, chefe da Patrulha de Fronteiras dos Estados Unidos, tornou-se símbolo da política de imigração do governo Donald Trump. Ao contrário da maioria dos agentes do ICE (polícia federal de imigração), que atuam mascarados, Bovino prefere se expor. Em operações, já lançou pessoalmente granadas de gás lacrimogêneo contra manifestantes.
Vídeos recentes mostraram policiais atirando contra Alex Pretti, enfermeiro de UTI, em Minneapolis. Bovino afirmou à CNN que os agentes federais foram as verdadeiras vítimas e que o treinamento evitou disparos contra forças de segurança. Embora Pretti portasse arma legalmente, imagens não registraram o objeto em suas mãos.
Operações e táticas
Com 55 anos, Bovino liderou ações em cidades como Los Angeles e Chicago. Ele aplica a estratégia conhecida como “agir e bater em retirada”: entrar rapidamente, efetuar prisões e sair antes da mobilização de protestos. Em janeiro, estava em Minneapolis quando um agente matou Renee Good, 37, dentro de seu carro. Também defendeu a detenção temporária de uma criança de cinco anos durante busca pelo pai.
Na semana passada, imagens mostraram Bovino lançando gás lacrimogêneo contra manifestantes. “Vou lançar gás. Afaste-se. O gás está chegando”, disse.
Perfil e imagem pública
Descendente de imigrantes italianos da Carolina do Norte, Bovino gosta dos holofotes. Fora das operações, veste casaco verde transpassado, modelo usado nas guerras mundiais. A peça gerou críticas, como a do governador da Califórnia, Gavin Newsom, que comparou o uniforme ao da SS nazista. Bovino rebateu dizendo que se trata do padrão da Patrulha de Fronteiras, usado por ele há mais de 25 anos.
Para Cesar Garcia Hernandez, professor de direito de imigração da Universidade Estadual de Ohio, Bovino é peça central da ofensiva de Trump. “Ele leva as palavras do presidente e de outros líderes a uma realidade operacional”, disse à AFP. Segundo o acadêmico, sua atuação transmite a mensagem de que “não há espaço para dissidência nos Estados Unidos sob esta administração”.
Redes sociais e espetáculo
Bovino se declara “apolítico”, mas segue a estratégia de Trump de gerar repercussão. Em suas redes, publica vídeos e informações contestadas, como a afirmação de que 90% dos moradores de Minneapolis apoiam ações do ICE. Em El Centro, na Califórnia, agentes produziam conteúdo midiático; hoje, o perfil de Bovino no X mostra o chefe segurando fuzil automático, respondendo a comentários e postando fotos de detidos.
Em maio de 2025, sua unidade apareceu em vídeo que o retratava como Darth Vader, combatendo “inimigos de Trump”: cidades-santuário democratas, tráfico de drogas, fentanyl e desinformação. Em dezembro, declarou que a missão não tem prazo para terminar: “Estamos aqui para ficar anos. Não vamos embora até que o problema seja resolvido”.
O ecossistema do trumpismo
Analistas afirmam que o trumpismo se consolidou como movimento político com múltiplos atores. Bovino é visto como o executor nas ruas. Stephen Miller atua como estrategista de políticas de imigração. Susie Wiles articula politicamente. Charlie Kirk, influenciador assassinado, mobilizava a base. J. D. Vance, vice-presidente, é apontado como dirigente que garante continuidade.
Essa constelação mostra como o trumpismo se expandiu além da figura de Trump, estruturando-se em diferentes frentes para sustentar sua agenda política e cultural.


