Os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e do Brasil, Lula - Reprodução


O Palácio do Planalto confirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve, na semana passada, uma conversa por telefone com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sobre a “paz na América do Sul e no Caribe”. A ligação não constou da agenda oficial de Lula e só foi divulgada após ser mencionada pelo jornal O Globo. O governo brasileiro não detalhou a data exata do contato nem qual dos dois líderes tomou a iniciativa.

O diálogo ocorre em meio ao aumento da tensão geopolítica na região. Desde agosto, os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, têm reforçado sua presença militar no mar do Caribe com porta-aviões, caças e navios de guerra. Apesar de Washington justificar a operação como parte do combate ao narcotráfico, analistas e governos sul-americanos interpretam a movimentação como pressão direta sobre o regime de Maduro.

Preocupado com a escalada, o Brasil tenta atuar como mediador. Lula já havia oferecido, em outubro, intermediar um diálogo entre Estados Unidos e Venezuela. O tema foi tratado tanto no encontro presencial entre Lula e Trump na Malásia quanto na ligação entre os dois presidentes em 2 de dezembro. Para Lula, ações unilaterais ameaçam a soberania das nações e podem abrir precedentes perigosos.

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A tensão subiu ainda mais no início de dezembro, quando os EUA interceptaram e apreenderam um navio petroleiro venezuelano próximo à sua costa, operação inédita que levantou dúvidas sobre possível ato de guerra. Trump intensificou o discurso ao afirmar que possui planos de contingência para substituir Maduro, sem descartar o envio de tropas ao território venezuelano.

Maduro reagiu classificando as ações norte-americanas como “agressões”, afirmando que mobilizará milicianos para a defesa do país. O líder venezuelano acusou Washington de promover uma escalada militar baseada em “mentiras” e declarou que a Venezuela está no “direito legítimo de defesa”. A conversa entre Lula e Maduro, segundo o Planalto, buscou justamente evitar que a crise avance para um conflito aberto na região.