BRASIL EM FOCO

Germano Oliveira*

Preocupado com o avanço do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas, o presidente Lula está preparando um pacote com medidas eleitoreiras para tentar vencer a reeleição em outubro. Vai começar por lançar um plano para conter o aumento dos preços do petróleo. Afinal, com a guerra dos Estados Unidos/Israel contra o Irã, as cotações do óleo diesel quase dobraram de preço.

Um litro do combustível, que custava em torno de R$ 4, hoje vale mais do que o dobro e tem postos cobrando em torno de R$ 9 em São Paulo. Imagine nos estados do Norte/Nordeste, distantes dos grandes centros! Deve estar o olho da cara. Com a gasolina acontece quase a mesma coisa. Na capital paulista, um litro está beirando os R$ 10. Um absurdo. “Coisa de bandido, que rouba o povo”, prega o petista nos palanques.

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Lula em discurso com a militância. (Foto: EBC)

O governo Lula já disse que vai subsidiar o diesel. Vai dar um desconto de R$ 1,20 por litro. Os estados pagam R$ 0,60 (reduzindo os impostos do ICMS, por exemplo), enquanto o governo federal reduz os outros R$ 0,60 (reduzindo IPI e PIS/Cofins). Um presentaço, mas que vai acarretar perda de receitas dos estados e da União. Em suma, quem paga a conta são os que recolhem impostos. Ou seja, o povo, que paga o ICMS quando compra um simples pãozinho na padaria. Como sempre, não tem almoço grátis.

Dando com uma mão e tirando com outra

Nova presidente da Petrobras diz que está alinhada com Lula ...
Lula com Magda Chambriard. (Foto: EBC)

Outra benesse que Lula vai dar é a provável subvenção ou a redução a zero dos impostos do querosene de aviação. Neste caso, temos uma trapalhada do governo e da Petrobras. No mesmo dia em que Lula disse estar preocupado com o efeito do aumento dos preços para os consumidores na inflação, a Petrobras de Magda Chambriard anunciou um reajuste de 55% no preço do querosene de aviação. Uma pancada. De pronto, as empresas aéreas anunciaram reajustes de 30% nos valores das passagens de avião. Ou seja, o governo dá com uma mão e tira com a outra.

Agora, depois da tempestade e após o impacto inflacionário previsto com a medida, Lula já começa a planejar um programa para zerar o imposto sobre o querosene de aviação, já que hoje todo mundo viaja de avião, inclusive os pobres. Neste caso, muito se deve a Lula, que chegou a lançar um natimorto programa para reduzir os valores das passagens.

O lulopetismo só não esclareceu ainda se isso vai zerar também o aumento das passagens aéreas. Não deve ser, claro, porque as empresas de aviação não fazem nenhum carinho ao seu cliente. Pelo contrário. Se depender delas, que já cobram até pelo mini-pacote de salgadinhos acompanhado por um copo d’água, tudo seria pago nos aviões. Até mesmo o ar-condicionado ligado para evitar o calor nas aeronaves.

E o governo não está tenso só com o avanço do bolsonarismo em seu eleitorado. Está apreensivo com o ritmo das investigações sobre a CPI do Crime Organizado, com a provável abertura de uma CPI do Master, para ver se não sobra nada para ele e seu grupo.

Na CPMI do INSS, Lula conseguiu sair ileso, sem que seu filho Lula e seu irmão Vavá fossem indiciados na comissão, mesmo porque os parlamentares não tiveram respaldo nem para votar o relatório final. Ficou zero a zero, porque os políticos ligados ao bolsonarismo também se safaram. Como se diz no Congresso, todo mundo sabe como uma CPI começa, mas ninguém imagina como ela termina…

*Germano Oliveira é diretor do BRASIL CONFIDENCIAL.