Zohran Mamdani tomou posse nesta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, como o 111º prefeito de Nova York. Aos 34 anos, é o primeiro muçulmano a ocupar o cargo e o mais jovem em mais de um século. O juramento ocorreu em cerimônia reservada, numa estação de metrô desativada sob a prefeitura, conduzida pela procuradora-geral do Estado, Letitia James, à meia-noite.
Horas depois, o senador Bernie Sanders presidiu a cerimônia pública nas escadarias da prefeitura, onde Mamdani fez seu primeiro discurso oficial. A posse foi seguida por uma festa popular na Broadway, convocada para celebrar a chegada do novo prefeito.
Um perfil singular
Mamdani, deputado estadual por Nova York, começou o ano como candidato pouco conhecido. Seu rápido crescimento nas pesquisas e vitória em novembro marcaram um ponto de virada para a ala progressista do Partido Democrata.
Nascido em Kampala, capital de Uganda, filho de pais indianos, mudou-se para Nova York aos sete anos. Estudou no Bronx e formou-se em Estudos Africanos no Bowdoin College, onde fundou uma seção de Estudantes pela Justiça na Palestina. Sua mãe é a cineasta Mira Nair e seu pai, Mahmood Mamdani, professor na Universidade Columbia. Ambos estudaram em Harvard.
Antes da política, trabalhou como consultor em habitação, ajudando famílias de baixa renda no Queens a evitar despejos. Essa experiência moldou seu discurso sobre justiça social e custo de vida.
Campanha marcada por gestos simbólicos
Durante a campanha, Mamdani se apresentou como “candidato do povo”. Incorporou sua fé muçulmana de forma visível: visitou mesquitas e divulgou mensagens em urdu sobre a crise de moradia. Também recorreu a gestos virais, como quebrar o jejum do Ramadã em um trem do metrô ou mergulhar no Atlântico para dramatizar sua proposta de congelar os aluguéis.
Entre suas promessas estão transporte público gratuito, congelamento de aluguéis, criação de supermercados municipais, creches universais e aumento da produção de moradias sindicais com aluguéis estáveis.
Críticas e apoios
Suas propostas foram criticadas por figuras como Andrew Cuomo, que o considera “radical” e inexperiente para administrar um orçamento de 115 bilhões de dólares e mais de 300 mil funcionários municipais. O New York Times afirmou em editorial que sua agenda “ignora compromissos básicos da governança”.
Ao mesmo tempo, Mamdani tem recebido ameaças islamofóbicas, o que reflete tensões raciais e políticas na cidade. Ele declarou que o racismo é “um sintoma do que está errado na política americana”.
Posição internacional
O novo prefeito manifestou apoio à Palestina e críticas a Israel, distanciando-se da maioria do Partido Democrata. Propôs retirar benefícios fiscais de organizações ligadas a assentamentos israelenses e afirmou que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu “deveria ser preso”. Ao mesmo tempo, destacou que “não há espaço para o antissemitismo em Nova York” e prometeu ampliar os recursos para combater crimes de ódio.





