A cidade de Minneapolis, EUA, tornou-se o epicentro de uma crise política e humanitária após a morte de Alex Pretti, enfermeiro de 37 anos, baleado por agentes da Patrulha de Fronteira. O episódio, ocorrido no sábado, cristaliza a divisão profunda entre o governo de Donald Trump e as autoridades locais, enquanto vídeos do incidente contradizem a versão oficial de Washington e alimentam protestos violentos.
Governo: “Terrorismo doméstico” e legítima defesa

Em Washington, a administração reagiu com uma ofensiva retórica, enquadrando o incidente não como um erro tático, mas como um ato de autodefesa contra um agressor armado. O Departamento de Segurança Interna (DHS) sustenta que Pretti interferiu em uma operação para prender um estrangeiro procurado.
“Os tiros foram disparados como ato de legítima defesa”, afirmou o DHS em nota oficial. “O agente temia por sua vida e pela vida e segurança de outros agentes após o indivíduo se aproximar com uma pistola e resistir violentamente a ser desarmado.”
A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, foi incisiva ao descrever a presença de Pretti no local: “Ele estava lá para espalhar violência”. O tom subiu ainda mais com Stephen Miller, chefe do Gabinete Adjunto da Casa Branca, que disparou: “Ele era um assassino e um terrorista doméstico”.
Pelo Truth Social, o presidente Trump transferiu a culpa para os líderes democratas de Minnesota: “O prefeito e o governador estão incitando a insurreição com sua retórica pomposa, perigosa e arrogante!”, escreveu o presidente, defendendo o uso da força federal em cidades que se recusam a cooperar plenamente com as deportações.
Família: “Mentiras repugnantes”
Para os pais de Alex Pretti, as acusações vindas de Washington são uma tentativa de assassinato de reputação. Eles descrevem o filho como um profissional de saúde dedicado que agiu por instinto humanitário ao ver uma mulher sendo agredida.
“Alex claramente não estava portando nenhuma arma quando foi atacado pelos gangsters covardes e assassinos do ICE de Trump”, declarou a família em um comunicado emocionado. “Ele estava simplesmente tentando proteger uma mulher que havia sido derrubada no chão por um agente e atingida por spray de pimenta.”
A família contesta diretamente a caracterização feita pela Casa Branca: “As mentiras repugnantes contadas sobre nosso filho pela administração são repreensíveis e nojentas. Por favor, revelem a verdade sobre nosso filho. Ele era um bom homem.”
As ruas e o Estado: “Brutalidade organizada”
Enquanto vigílias com velas tentavam honrar a memória de Pretti em frente à sua casa, o cenário nas ruas de Minneapolis era de guerra. A divulgação de vídeos que mostram policiais disparando cerca de dez vezes contra Pretti — mesmo após ele parecer estar desarmado e imobilizado no chão — inflamou os manifestantes.
O governador de Minnesota, Tim Walz, rompeu definitivamente com a colaboração federal, descrevendo a atuação dos agentes como uma força de ocupação.
“Esta ocupação federal de Minnesota há muito deixou de ter como objetivo o cumprimento das leis de imigração”, afirmou Walz. “É uma campanha de brutalidade organizada contra o povo do nosso estado.”
O governador reiterou que não confiará nas instâncias federais para apurar o caso: “O sistema de Justiça de Minnesota terá a palavra final sobre este assunto. Ele tem que ter a palavra final.”
O prefeito Jacob Frey ecoou o sentimento, pedindo a retirada imediata das forças de Trump e recorrendo à Guarda Nacional para proteger os cidadãos dos próprios agentes federais, citando a “perturbação da segurança pública causada por agentes de imigração”.


