O comando do Legislativo brasileiro fechou o cerco contra a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as irregularidades envolvendo o Banco Master. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), têm sinalizado resistência em dar andamento aos pedidos de investigação, apesar de os requerimentos já contarem com o apoio necessário de parlamentares.
A barreira regimental na Câmara
Nesta quarta-feira, Hugo Motta comunicou a líderes partidários que não há espaço político ou regimental para a instalação do colegiado na Câmara. O argumento oficial baseia-se na existência de uma “fila” de pedidos anteriores que, segundo o regimento interno, impede a priorização do caso Master neste momento.
No entanto, nos corredores de Brasília, a sinalização foi interpretada como um freio definitivo às pretensões da oposição e de setores independentes. O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), autor do pedido que conta com 193 assinaturas (superando o mínimo de 171), criticou a paralisia: “É uma desmoralização para o Congresso não ir a fundo. Estamos diante da maior fraude bancária da história”, afirmou, ecoando declarações recentes do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Alcolumbre e o silêncio no Senado
A pressão recai agora sobre Davi Alcolumbre. Diferente da Câmara, a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) — composta por deputados e senadores — não exige o cumprimento de uma fila cronológica, dependendo apenas da leitura do requerimento em sessão deliberativa.
Apesar de o senador Eduardo Girão (Novo-CE) e o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) afirmarem possuir o número de assinaturas suficiente para a instalação imediata, Alcolumbre mantém o silêncio. Interlocutores do senador indicam que ele não demonstra disposição para pautar o tema após o recesso parlamentar, mantendo uma postura de cautela que favorece a manutenção do status quo.
Alternativas de investigação
Diante do bloqueio da cúpula, o foco da apuração deve ser deslocado para estruturas já existentes:
- CPI do Crime Organizado: No Senado, o colegiado deve absorver o caso Master em seu plano de trabalho, conforme antecipado pela imprensa brasileira.
- Comissão de Assuntos Econômicos (CAE): Foi criado um grupo de trabalho paralelo para monitorar o caso, embora com poderes limitados, uma vez que não possui prerrogativa de quebra de sigilos bancários ou convocações compulsórias.
O governo também atua para evitar o desgaste. O líder do Executivo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), manifestou-se explicitamente contra a CPI, argumentando que a formação do colegiado não é uma prioridade para a estabilidade política atual. Procurados, Motta e Alcolumbre não quiseram comentar as decisões.


