O Departamento de Justiça (DOJ) dos Estados Unidos divulgou nesta sexta-feira (30) documentos adicionais sobre o caso de Jeffrey Epstein. O novo lote foi publicado no repositório oficial do órgão, identificado como “Conjunto de Dados 9”.
O material inclui dezenas de milhares de páginas com fotos, vídeos, registros judiciais e e-mails.
Algumas pastas mencionam figuras como o presidente Donald Trump e o ex-presidente Bill Clinton, que não foram ligados a irregularidades.
A Lei de Transparência dos Arquivos Epstein exigia a liberação até 19 de dezembro, mas o DOJ justifica o atraso pela necessidade de proteger a identidade das vítimas.
Elon Musk e Woody Allen
E-mails mostram convites de Epstein ao empresário Elon Musk para o Caribe em 2013 e 2014. Em novembro de 2013, Epstein perguntou se Musk passaria o Natal com ele e o cineasta Woody Allen.
“Sim”, respondeu Musk.
Em 2014, ao ser convidado “novamente”, o empresário disse: “Não sei”.
Não há confirmação independente de que Musk tenha comparecido.
Em outra troca de mensagens, de maio de 2015, Epstein convidou Allen para uma visita ao museu da Casa Branca durante a gestão de Barack Obama.
O cineasta respondeu: “Com a minha ficha criminal, nunca vou passar pela segurança”. Allen nunca foi acusado formalmente de crimes e nega abusos contra sua filha adotiva, Dylan Farrow.
Menção a Mar-a-Lago
Uma mensagem de setembro de 2012 questiona se Epstein deveria ir para Mar-a-Lago, resort de Trump, na Flórida, após o Natal. Não há resposta confirmada. Trump afirma que ele e Epstein se desentenderam em 2004, anos antes das condenações do criminoso sexual.
O Departamento de Justiça afirmou que parte do material contém “alegações falsas e sensacionalistas” contra Trump, enviadas ao FBI antes da eleição de 2020.
“As alegações são infundadas e falsas”, informou o departamento em nota.
Círculo íntimo e logística
Os arquivos incluem diagramas do círculo íntimo de Epstein, com fotos de Ghislaine Maxwell e dos supostos cúmplices Jean Luc Brunel e Leslie Groff.
Segundo o vice-procurador-geral Todd Blanche, mais de 3 milhões de páginas, 2.000 vídeos e 180 mil imagens foram processados.
“A divulgação de hoje marca o fim de um processo abrangente de identificação e revisão de documentos”, escreveram a procuradora-geral Pam Bondi e Todd Blanche em carta ao Congresso. Eles destacaram que 500 pessoas trabalharam na revisão manual para ocultar imagens de menores e vítimas.
Clinton e Jeff Bezos
A publicitária Peggy Siegal enviou um e-mail a Epstein em 2009 relatando uma festa na casa de Ghislaine Maxwell: “Bill Clinton e Jeff Bezos estavam lá”.
Em depoimento de 2016, Epstein invocou a Quinta Emenda da Constituição dos EUA — o direito ao silêncio — ao ser questionado se era amigo próximo de Clinton ou se o ex-presidente viajou em seu jato com jovens de 18 anos. Clinton não foi acusado de irregularidades.
Pressão política
Deputados democratas criticam a gestão dos dados. Robert Garcia afirmou que o governo retém cerca de 50% dos arquivos: “Isso é ultrajante. Estão violando a lei”.
O deputado Ro Khanna questionou por que apenas 3,5 milhões de páginas foram liberadas se o DOJ identificou 6 milhões de páginas potencialmente relevantes.
“Não divulgar esses arquivos apenas protege indivíduos poderosos e prejudica a confiança do público”, disse Khanna.


