Antonio Carlos do Nascimento*
Nesta última quarta-feira (1º), a Food and Drug Administration (FDA) aprovou a comercialização de um novo medicamento para o tratamento da obesidade, a Orforgliprona. O fármaco, de uso oral, desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, será comercializado sob o nome Foundayo e estará disponível nas prateleiras das drogarias americanas a partir de hoje.
Embora concebido pela mesma farmacêutica da Tirzepatida (Mounjaro), seu mecanismo de ação se assemelha mais ao da Semaglutida, da concorrente Novo Nordisk, que possui versões injetáveis (Ozempic e Wegovy) e oral (Rybelsus).
Com perda média de peso de cerca de 12% em sua maior dose, Foundayo oferece emagrecimento semelhante ao alcançado com Rybelsus em seu limite posológico e, com uso diário e custos semelhantes, a diferença reside em detalhes.
Rybelsus deve ser tomado em jejum, enquanto Foundayo pode ser tomado a qualquer hora do dia e, aparentemente, apresenta percentual bem menor de efeitos colaterais.
Em outra observação, ao contrário da Semaglutida, a Orforgliprona foi desenvolvida inicialmente para o tratamento da obesidade; contudo, nos ensaios clínicos foi identificado enorme potencial para ajustes glicêmicos, fazendo com que a Eli Lilly pretenda solicitar sua indicação também para o diabetes tipo 2 ainda este ano.

Distante da queda ponderal em torno de 23% observada com o uso da Tirzepatida, este novo fármaco oral se apresenta como opção para aqueles avessos às injeções semanais, além de ter custo três a quatro vezes menor.
Estamos diante de uma avalanche de novas drogas para o enfrentamento da obesidade, com incalculáveis resultados clínicos vantajosos; porém, é urgente democratizar o acesso a essas terapias, sob o risco de tornarmos a silhueta do indivíduo um reflexo de seu poder aquisitivo.
Antonio Carlos do Nascimento é doutor em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP e membro da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia.





