A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (9) a segunda fase da Operação Vem Diesel, voltada para distribuidoras e revendedoras de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de cozinha. A ação, realizada em 24 cidades de 15 estados e no Distrito Federal, fiscalizou 55 estabelecimentos e tem como objetivo identificar práticas abusivas de preços e possíveis acordos ilegais entre empresas para controlar o mercado.
A ofensiva é conduzida por uma força-tarefa formada pela PF, pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, e pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Procons locais também participam das ações. Segundo a PF, o trabalho busca apurar “práticas irregulares no aumento do preço do gás, fixação de preços entre empresas concorrentes para controle de mercado e outras eventuais práticas abusivas que possam acarretar prejuízos para o consumidor”.
Nos primeiros meses de 2026, o preço do botijão de gás chegou a subir cerca de R$ 45 no Piauí, exemplo que chamou a atenção das autoridades. A Senacon lembra que, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor, um preço é considerado abusivo quando há elevação sem justa causa, especialmente em contextos de emergência ou calamidade. Isso ocorre quando o fornecedor aumenta o valor de produtos ou serviços sem justificativa técnica, obtendo vantagem excessiva e violando o equilíbrio nas relações de consumo.
A primeira fase da operação, realizada em 27 de março, teve como alvo aumentos indevidos nos combustíveis, em meio à instabilidade provocada pela guerra no Oriente Médio. Agora, o foco se volta ao GLP, combustível limpo e versátil, usado tanto em botijões domésticos quanto em tanques industriais, essencial para famílias brasileiras e para setores como restaurantes, hotéis e pequenas indústrias.
As fiscalizações ocorreram em cidades como Manaus, Salvador, Fortaleza, Brasília, São Luís, Natal, Duque de Caxias, Itajaí, Santos e Canoas, entre outras. Irregularidades encontradas serão encaminhadas à PF para investigação e responsabilização dos envolvidos.
O gás de cozinha, insumo básico para milhões de brasileiros, tem impacto direto no orçamento doméstico e na cadeia de alimentação. Por isso, autoridades reforçam que a livre concorrência e a transparência nos preços são fundamentais para evitar abusos e garantir que reduções de custos sejam repassadas ao consumidor final.





