da Redação
01 junho 2026
Os Estados Unidos estão prestes a concluir a investigação comercial contra o Brasil, aberta em 2025 pelo governo Donald Trump com base na Seção 301 da Lei de Comércio. O relatório preliminar deve ser divulgado nos primeiros dias de junho, segundo fontes ligadas ao setor público e privado, e pode recomendar novas tarifas sobre produtos brasileiros. A revelação é do jornal Folha de S, Paulo.
O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), comandado pelo embaixador Jamieson Greer, trabalha com prazo final em 15 de julho, mas pretende antecipar conclusões para abrir consulta pública.
“A ideia é permitir que empresas e governos comentem antes da versão definitiva”, disse um interlocutor envolvido nas negociações.
A investigação tem potencial de impor sanções de difícil reversão, ampliando os efeitos do tarifaço decretado por Trump em 2025, que elevou sobretaxas para até 50% em diversos produtos.
Entre os pontos analisados estão o comércio digital, serviços de pagamento eletrônico como o Pix, tarifas sobre etanol, proteção da propriedade intelectual e desmatamento ilegal. Empresas americanas de cartão de crédito alegam que o Banco Central concede tratamento preferencial ao Pix, o que o governo brasileiro nega.
Na reunião de maio entre Lula e Trump, Greer foi o mais crítico à postura brasileira, acusando o país de bloquear acordo na OMC sobre a moratória do comércio eletrônico. Apesar de conversas recentes com o ministro Márcio Elias Rosa, o governo brasileiro saiu frustrado com a falta de clareza sobre prazos.
O Planalto teme que a designação recente do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA aumente custos de compliance e afaste investidores. “Essa decisão pode encarecer operações e reduzir o apetite de empresas estrangeiras”, afirmou uma fonte próxima às negociações.
Além da apuração aberta em 2025, o Brasil entrou na mira de outra investigação do USTR, iniciada neste ano, para verificar se produtos fabricados com trabalho forçado estão entrando nos EUA.
O processo envolve cerca de 60 países e foi lançado após a Suprema Corte americana derrubar o tarifaço justificado pela IEEPA.
A decisão final caberá a Trump, que poderá aplicar ou não as tarifas sugeridas. Embora exista a hipótese de prorrogação da investigação por alguns meses, o cenário é considerado improvável.
Para o governo Lula, qualquer adiamento seria um alívio temporário diante da pressão crescente de Washington.
“Se houver punição a uma instituição relevante, o Pix pode sofrer impactos sistêmicos”, disse Durigan à Folha.
Além do risco direto ao sistema financeiro, interlocutores no Planalto avaliam que a designação das facções pode ser usada como argumento adicional para reforçar a ofensiva contra o Brasil na Seção 301. Empresas americanas de cartão de crédito alegam que o Banco Central concede vantagem indevida ao Pix, o que o governo brasileiro nega.
O temor é que, somadas às tarifas já impostas em 2025, novas medidas criem barreiras de difícil reversão para exportadores e investidores.
A avaliação no setor privado é que o Brasil enfrenta um quadro de incerteza elevado, em que decisões unilaterais dos EUA podem afetar tanto o comércio quanto a estabilidade do sistema financeiro nacional.
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