da Redação
15 junho 2026
O presidente do Irã, Mahmoud Pezeshkian, declarou nesta segunda-feira (15) que o memorando de entendimento com os Estados Unidos para pôr fim à guerra será assinado na sexta-feira (19), segundo a agência estatal IRNA. A confirmação oficial de Teerã encerra semanas de especulações e dá peso às declarações anteriores do Paquistão, que já havia antecipado o anúncio.
A notícia repercutiu imediatamente em capitais regionais e globais. O Egito classificou o acordo como “um ponto de virada altamente significativo” para restaurar a segurança regional e internacional. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores egípcio destacou que o pacto pode fortalecer a confiança e abrir espaço para avanços diplomáticos. A Arábia Saudita também saudou o entendimento, elogiando os esforços dos mediadores e a “resposta positiva” de Washington e Teerã.
Na Europa, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que se trata de “um avanço muito significativo”, após discutir o tema com Donald Trump no fim de semana. “Nada é garantido, mas espero que possamos transformar isso na paz duradoura que todos desejamos”, disse.
A China, por sua vez, enfatizou a importância estratégica do Estreito de Ormuz. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, declarou que “restaurar a estabilidade no estreito serve aos interesses comuns da região e da comunidade internacional” e expressou expectativa de que a navegação segura seja retomada em breve.
Apesar do otimismo, Teerã manteve críticas a Israel. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, acusou Tel Aviv de “agressão e ataques desestabilizadores” contra o Líbano, em conversas com chanceleres da Turquia, Iraque e Egito.
Nos Estados Unidos, o vice-presidente JD Vance afirmou que o governo Trump divulgará o texto completo do acordo ainda esta semana. “Queremos que o povo americano o veja”, disse em entrevista à CBS. Segundo Vance, o pacto garante que o Irã “jamais terá uma arma nuclear” e prevê a reabertura do Estreito de Ormuz.
Ele negou que o regime iraniano receberá US$ 24 bilhões em fundos congelados, mas admitiu que o desbloqueio de ativos financeiros será discutido nas negociações técnicas.
O vice-presidente ressaltou que o Irã terá “um futuro muito melhor e mais próspero” se cumprir as obrigações assumidas, incluindo inspeções reais em seu programa nuclear.
Autoridades iranianas também reconhecem que o acordo é apenas o início. O primeiro vice-presidente, Mohammad Reza Aref, afirmou que “a tarefa mais difícil será alcançar um acordo permanente e a paz, que virão em 60 dias”. Fontes próximas às negociações confirmaram que o memorando prevê dois meses de conversas adicionais sobre o programa nuclear e outros pontos sensíveis.
A ONU pediu moderação. O Alto Comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, saudou o cessar-fogo imediato e permanente previsto no pacto e apelou para que seja implementado “rapidamente e de boa-fé”. “O conflito teve impacto devastador nos direitos humanos em toda a região e no mundo inteiro”, disse.
O anúncio marca um momento raro de convergência diplomática. Países árabes, potências ocidentais e atores globais como China e ONU veem na assinatura de sexta-feira uma oportunidade histórica para encerrar décadas de hostilidade e abrir caminho para uma nova arquitetura de segurança no Oriente Médio.
Ainda assim, especialistas alertam que o sucesso dependerá da capacidade de Washington e Teerã de superar desconfianças profundas e de lidar com pressões externas, sobretudo de Israel. O período de 60 dias de negociações será decisivo para transformar o memorando em um acordo permanente.
Se confirmado, o pacto poderá redefinir o equilíbrio regional, reabrir rotas estratégicas de comércio e aliviar tensões que há anos ameaçam a estabilidade global.
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