da Redação
01 junho 2026
A Rússia acusou a França nesta segunda-feira (1) de agir “no limite da pirataria internacional” após a interceptação do petroleiro Tagor pela Marinha francesa no último domingo (31), a mais de 740 km a oeste da Bretanha.
O navio, vindo de Murmansk, no extremo norte russo, foi abordado em operação autorizada pela Convenção de Montego Bay sobre o Direito do Mar.
Em coletiva de imprensa, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, classificou a ação como “ilegal” e afirmou que Moscou está tomando medidas para proteger seus cargueiros. A embaixada russa em Paris solicitou às autoridades francesas informações sobre possíveis cidadãos russos a bordo.
A operação francesa
Segundo o Ministério Público de Brest, o capitão do Tagor se recusou a obedecer às ordens da Marinha francesa, o que levou à abertura de investigação criminal por ausência de bandeira válida e desobediência. O presidente Emmanuel Macron declarou que o navio fazia parte da chamada “frota fantasma” usada por Moscou para contornar sanções internacionais e financiar a guerra contra a Ucrânia.
“O que motivou a interceptação foram as dúvidas sobre a regularidade da bandeira”, explicou o capitão de fragata Guillaume Le Rasle, porta-voz da prefeitura marítima. O Tagor, que navegava quase vazio, ostentava bandeira dos Camarões, mas documentos levantaram suspeita de falsificação.
Contexto das sanções
O Tagor é o quarto petroleiro russo interceptado pela França desde 2025. Outros três — Deyna, Grinch e Boracay — foram detidos em operações semelhantes no Mediterrâneo e na Bretanha. Dois deles foram liberados após pagamento de multas.
Macron reforçou que a “determinação da França em combater a frota fantasma russa é constante e total”. O navio, com 23 tripulantes, está sendo escoltado até ponto de ancoragem para verificações adicionais, em operação que deve durar até 48 horas.
Ligações internacionais
O Tagor já navegou sob bandeiras de Madagascar, Ilhas Marshall e Panamá. De acordo com o site Opensanctions.org, estaria ligado ao magnata iraniano Mohammad Hossein Shamkhani, morto em fevereiro durante ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irã. O sistema de identificação do navio (AIS) não transmitia posição há uma semana, quando navegava próximo à Noruega.
A França anunciou em abril o endurecimento das penalidades contra navios sem bandeira válida ou que se recusem a cumprir ordens, como forma de reforçar o combate à frota fantasma russa.
Macron comenta a ação contra os russos
O presidente francês, Emmanuel Macron, postou o seguinte texto em sua rede social sobre a apreensão da embarcação russa:
“A Marinha Nacional apreendeu ontem de manhã um novo petroleiro sob sanções internacionais proveniente da Rússia: o Tagor. Nossa determinação é constante e total.
Essa intervenção foi realizada no Atlântico, em alto-mar, com o apoio de vários parceiros, incluindo o Reino Unido, no estrito respeito ao direito do mar.
É inaceitável que embarcações contornem as sanções internacionais, violem o direito do mar e financiem a guerra que a Rússia trava contra a Ucrânia há mais de 4 anos.
Esses navios, que não respeitam as regras mais elementares da navegação marítima, também representam uma ameaça para o meio ambiente e para a segurança de todos.”
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