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Trump anuncia acordo; Irã divulga outro

Por Moisés Rabinovici

da Redação

13 junho 2026

Trump anuncia acordo; Irã divulga outro

O 39º acordo com o Irã anunciado pelo presidente Donald Trump tem duas versões contraditórias.

Pela iraniana, a República Islâmica ficará com o controle do Estreito de Ormuz, manterá o direito de enriquecer urânio, receberá 24 bilhões de dólares de seus depósitos congelados em bancos internacionais e poderá vender petróleo sem sanções econômicas através de seus portos livres do bloqueio dos EUA. E mais: 300 bilhões de dólares para a reconstrução do país.

“Desonrosos iranianos com quem negociamos!”, reagiu Trump ao vazamento dos detalhes do acordo, recomendando: “É melhor agirem juntos, e rápido”, depois de Teerã declarar que ele poderia ser assinado neste fim de semana.

Em sua rede Truth Social, o presidente acrescentou: “Fake News”. O que vazou, afirmou, “não tem nada a ver com os termos que foram acordados e estão escritos”.

Trump também se queixou de que os iranianos negaram ter atacado navios indianos com drones na saída do Estreito de Ormuz. “Isto é totalmente inaceitável”, declarou, lembrando que os EUA derrubaram dois dos drones envolvidos na ação.

A agência iraniana Mehr, que publicou o vazamento do Memorando de Islamabad, como passou a ser chamado, informou ainda que as negociações durante o cessar-fogo de 60 dias só começarão depois da liberação dos 24 bilhões de dólares em ativos congelados, do fim do bloqueio naval americano e da suspensão dos combates entre Israel e Hezbollah no Líbano.

A Casa Branca apresentou uma versão bastante diferente. Segundo Washington, o urânio enriquecido será removido ou neutralizado, o programa nuclear iraniano, desmantelado, e Teerã se comprometerá a nunca obter armas atômicas. O bloqueio do Estreito de Ormuz seria suspenso e cessaria a ajuda iraniana ao Hezbollah e aos Houthis.

“Foi isso que eles concordaram. Trata-se de um acordo baseado no desempenho”, declarou uma fonte do governo americano ao jornal The Times of Israel. A fórmula lembra o acordo para Gaza, que previa o desarmamento do Hamas e jamais foi implementado. A principal concessão nuclear de Trump teria sido admitir a diluição do urânio enriquecido em território iraniano, em vez de exigir sua retirada do país.

Os Estados Unidos demonstram confiança em sua versão do memorando, aprovado na quarta-feira pelo chanceler iraniano Abbas Araghchi e pelo catariano Ali Al Thawawdi, interlocutor dos mediadores americanos Steve Witkoff e Jared Kushner. Quatro aviões já foram enviados para a Europa em preparação para a cerimônia de assinatura, na qual o vice-presidente JD Vance substituirá Trump.

Em Israel, Netanyahu declarou que “enquanto eu for primeiro-ministro, o Irã não terá armas nucleares”. Ainda assim, deu os parabéns a Trump pelo acordo.

*Moisés Rabinovici é jornalista brasileiro com carreira marcada por atuação internacional e inovação digital. Como correspondente de imprensa, atuou em Israel, Europa e Estados Unidos.

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