Caracas iniciou 2026 sob tensão. As explosões registradas neste sábado (3/1) levaram o governo de Nicolás Maduro e o presidente colombiano, Gustavo Petro, a acusarem os Estados Unidos de atacar a Venezuela. Horas depois, Donald Trump anunciou em sua rede Truth Social que Maduro e sua esposa haviam sido capturados e levados para fora do país. O presidente norte-americano descreveu a operação como um “ataque em larga escala”.
A ofensiva marca uma mudança de foco. Em dezembro, Susie Wiles, chefe de gabinete de Trump, declarou à revista Vanity Fair que o objetivo era “continuar explodindo barcos até que Maduro se renda”, referência à campanha contra embarcações venezuelanas acusadas de transportar drogas no Caribe. Até então, parecia que o combate ao narcotráfico era central. Trump chegou a classificar o fentanil como “arma de destruição em massa” e ordenou bloqueio total a petroleiros sancionados.
Analistas apontam, porém, que a captura de Maduro indica uma estratégia mais ampla. Paul Hare, ex-embaixador britânico e professor em Boston, avalia que inicialmente Trump buscava acordos comerciais e concessões de petróleo. Agora, derrubar Maduro aparece como objetivo prioritário, considerado mais viável do que os conflitos na Ucrânia e em Gaza.
O segundo mandato republicano reforça a ênfase no hemisfério ocidental. Marco Rubio, secretário de Estado e crítico histórico de Maduro, vê oportunidade de ampliar a pressão também sobre Cuba, dependente da Venezuela para o fornecimento de energia. “Cuba ficaria gravemente prejudicada”, afirma Jesús Renzullo, analista do Instituto Alemão de Estudos Globais.
Apesar das sanções já impostas em anos anteriores, Washington parece disposto a intensificar a pressão. Para Hare, a Venezuela é um caso isolado: “Maduro é ilegítimo, mas não vejo isso se estendendo a outros países”. A oposição venezuelana, liderada por Maria Corina Machado, recém-laureada com o Nobel da Paz, apoia a intervenção. Trump, no entanto, pode estar mais motivado por rivalidade pessoal do que pela defesa da democracia, segundo Jim Marckwardt, ex-oficial do Exército dos EUA.
Maduro resiste desde 2013, mesmo após eleições de 2024 consideradas fraudulentas por observadores. Trump já havia reconhecido Juan Guaidó como líder legítimo em 2019, sem sucesso em afastar o chavista do poder. Agora, a Venezuela surge como palco para a construção de seu legado político e como forma de recuperar apoio da diáspora latino-americana na Flórida, crucial em sua reeleição.


