Sede do Instituto de Energia, alvo de roubo nos laboratórios. (Reprodução)


Um assalto ocorrido na virada do ano em um dos laboratórios mais avançados da Universidade de São Paulo (USP) está sendo investigado como possível caso de espionagem científica. O crime aconteceu nas instalações do Instituto de Energia e Ambiente (IEE), que abriga um dos três únicos centros no mundo especializados em testes de segurança de equipamentos para trabalhadores expostos a descargas elétricas.

Segundo o vice-diretor do IEE, Ildo Sauer, os criminosos levaram oito bobinas de cobre — avaliadas em até R$ 40 mil — e dois computadores que armazenavam softwares e dados desenvolvidos pela própria universidade. Além do furto, os invasores danificaram equipamentos e estruturas do laboratório para extrair mais cobre, ampliando os prejuízos.

O que mais chamou a atenção dos responsáveis pelo instituto, no entanto, foi a forma como os assaltantes agiram. “Eles sabiam exatamente onde ir e como entrar. Usaram uma senha que só funcionários conhecem”, afirmou Sauer em entrevista à rádio CBN. A Polícia Civil investiga como os criminosos obtiveram esse acesso restrito.

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As circunstâncias do crime levantaram a hipótese de que o roubo possa ter motivações além do furto de materiais. “Existe uma linha de investigação que considera a possibilidade de espionagem científica ou industrial, especialmente por causa dos dados e softwares levados. Esse laboratório é um dos únicos no mundo com essa capacidade de certificação”, explicou Sauer.

O assalto foi registrado por câmeras de segurança. As imagens mostram dois homens entrando a pé no campus pouco antes da meia-noite. Minutos depois, o portão de veículos é aberto e uma van branca entra no local. Em outro trecho, ao menos três suspeitos aparecem encapuzados rendendo os vigilantes.

De acordo com o boletim de ocorrência, quatro homens participaram da ação. Eles invadiram a guarita, renderam os seguranças e os mantiveram sob ameaça em uma cozinha enquanto o roubo era executado. Os vigilantes relataram que foram forçados, sob mira de armas de fogo, a ajudar no transporte dos materiais até o veículo usado na fuga.

Além das bobinas de cobre e dos computadores, os criminosos levaram cerca de 80 metros de cabos plásticos e os celulares das vítimas. A Secretaria da Segurança Pública informou que as investigações seguem em andamento para identificar e prender os responsáveis. Até o momento, ninguém foi preso.