Nélson Tanure, cujos processos estão sendo reunidos no caso Master a pedido da defesa. (Foto: Reprodução)


A Justiça Federal em São Paulo encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação contra o empresário Nelson Tanure, acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de utilizar informações sigilosas em operações envolvendo a construtora Gafisa.

O processo foi distribuído ao ministro Dias Toffoli, relator de um inquérito que apura irregularidades ligadas ao Banco Master.

Segundo a denúncia, Tanure teria recorrido a dados internos da companhia durante a aquisição da incorporadora Upcon, em 2019 e 2020, prática que configura insider trading. A defesa argumenta que, por citar o Banco Master, o caso deve ser analisado em conjunto com o inquérito já em curso no STF.

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“A circunstância processual precisa ser enfrentada”, afirmou o advogado Pablo Neves Testoni em manifestação ao tribunal.

O processo corre em sigilo, mas fontes próximas confirmam que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também conduz investigação administrativa sobre as operações. A decisão de remeter o caso a Brasília reflete a possibilidade de conexão entre os dois processos, o que pode alterar o rumo da ação penal contra o empresário.

Tanure, conhecido por sua atuação em empresas de mídia e construção civil, não se pronunciou publicamente. A Gafisa, por sua vez, informou que não comenta processos judiciais em andamento.

Insider trading é crime previsto na legislação brasileira e pode resultar em pena de reclusão e multa.

O Banco Master já é alvo de apurações no STF, o que reforça a tese da defesa sobre a necessidade de análise conjunta.

A decisão de Toffoli sobre a tramitação do caso pode definir se o processo seguirá em São Paulo ou ficará concentrado em Brasília.