O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, apresentaram versões conflitantes sobre a origem das carteiras de crédito negociadas entre as duas instituições durante acareação conduzida pela Polícia Federal no fim de dezembro. Os vídeos do confronto foram divulgados nesta quinta-feira (29) vídeos estão anexados na PET 15.219 e no portal Poder360 integram as investigações sobre suspeitas de irregularidades nas operações.
A principal divergência diz respeito à origem dos papéis vendidos pelo Master ao BRB. Vorcaro afirmou que não sabia que os ativos negociados pertenciam à empresa Tirreno e sustentou que informou ao banco público apenas que passaria a comercializar carteiras originadas por terceiros, sem detalhamento. Já Paulo Henrique Costa declarou que o entendimento do BRB era de que os créditos tinham sido originalmente originados pelo próprio Master, depois negociados com terceiros e recomprados antes da venda ao banco público.
A Polícia Federal investiga se o Banco Master teria mascarado uma crise de liquidez ao realizar a operação e se o BRB, por sua vez, ignorou deliberadamente falhas de governança e prudência. Segundo a apuração, o Master não dispunha de recursos para honrar títulos com vencimento em 2025 e teria adquirido créditos da Tirreno sem pagamento, revendendo-os posteriormente ao BRB por cerca de R$ 12 bilhões — operação que representava aproximadamente 30% dos ativos do banco público.
Durante a acareação, também houve controvérsia sobre a documentação entregue na transação. Vorcaro afirmou que não tinha conhecimento detalhado dos procedimentos e minimizou a relevância da identificação do originador dos créditos para a análise de risco, defendendo que o foco deveria ser o cliente final. Paulo Henrique, por outro lado, disse que os documentos normalmente incluem dados completos dos créditos, mas sem indicação explícita de quem os originou.
Em nota, a defesa do ex-presidente do BRB afirmou que as aquisições ocorreram dentro da rotina bancária e em conformidade com os ritos de governança, negando que a operação tivesse caráter de salvamento do Banco Master. O Banco Central, por sua vez, declarou que acompanha permanentemente as condições de liquidez das instituições financeiras, mas ressaltou que a responsabilidade pela análise da qualidade dos créditos adquiridos cabe exclusivamente a cada banco.




